Adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e perder peso quando necessário são as principais estratégias para reduzir o acúmulo de gordura no fígado e evitar a evolução da doença.

A chamada esteatose hepática ocorre quando a gordura representa mais de 5% do volume do fígado. O problema costuma estar associado ao excesso de peso, sedentarismo e ao consumo frequente de alimentos ricos em açúcar, gorduras e produtos ultraprocessados.

Embora possa não provocar sintomas nas fases iniciais, a condição pode evoluir silenciosamente. Com o avanço da doença, podem surgir sinais como dor ou desconforto no lado direito do abdômen, inchaço, pele amarelada e urina escura.

Sem tratamento, o excesso de gordura pode provocar inflamação, fibrose e, em casos mais graves, evoluir para cirrose e câncer de fígado.

Especialistas apontam que não existe uma fórmula milagrosa para eliminar a gordura hepática. O tratamento é baseado na adoção de hábitos saudáveis, com foco na perda de peso e no controle de fatores de risco, como colesterol, triglicerídeos, glicemia e pressão arterial.

A prática de exercícios físicos também faz parte da estratégia. Atividades aeróbicas, como caminhada, corrida e ciclismo, ajudam o organismo a utilizar melhor a gordura como fonte de energia. Quando combinadas com exercícios de força, como a musculação, podem contribuir para reduzir processos inflamatórios e melhorar o metabolismo.

Uma alimentação rica em alimentos naturais é considerada uma das principais aliadas da saúde hepática. Verduras, legumes, frutas e grãos integrais fornecem fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes que ajudam no controle da glicemia, aumentam a saciedade e favorecem a perda de peso.

As proteínas magras também são recomendadas. Peixes, ovos, frango e carnes com menor teor de gordura fornecem nutrientes importantes, como colina e metionina, substâncias que participam do metabolismo das gorduras no fígado.

Outro grupo indicado são as chamadas gorduras saudáveis. Consumidas com moderação, opções como azeite de oliva extravirgem, abacate, amêndoas, sardinha e salmão apresentam propriedades anti-inflamatórias que podem beneficiar a função hepática.

Estudos também associam o consumo moderado de café e alguns chás à redução da progressão da fibrose hepática. Para adultos saudáveis, a ingestão de cafeína de até 400 miligramas por dia costuma ser considerada segura.

Alguns alimentos podem favorecer o acúmulo de gordura no fígado e dificultar a recuperação. O consumo excessivo de carnes gordurosas, queijos amarelos e leite integral deve ser reduzido, dando preferência a versões com menor teor de gordura. Frituras também merecem atenção, pois o aquecimento intenso dos óleos favorece a formação de compostos inflamatórios.

Produtos ultraprocessados, como salgadinhos, embutidos, refeições prontas, enlatados e outros industrializados, concentram grandes quantidades de sódio, gorduras, açúcares e aditivos que podem estimular processos inflamatórios. Doces, refrigerantes, bolachas recheadas, pães feitos com farinha refinada e outras fontes de carboidratos simples também devem ser consumidos com moderação, pois favorecem picos de insulina e o armazenamento de gordura no fígado.

As bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de agressão ao órgão e, para quem já apresenta esteatose hepática, a recomendação é interromper o consumo para evitar a progressão da doença. Refrigerantes e sucos industrializados também entram na lista de bebidas que podem agravar o quadro devido ao alto teor de açúcar e calorias.

Especialistas destacam que o fígado possui grande capacidade de regeneração. Em muitos casos, a combinação entre emagrecimento, alimentação balanceada e prática regular de exercícios físicos pode reduzir o acúmulo de gordura e normalizar exames laboratoriais. Por isso, identificar a esteatose hepática precocemente pode representar uma oportunidade para mudar hábitos e evitar complicações mais graves no futuro.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.