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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

A arte croata de relaxar e suas lições para nós

A Arte de Não Fazer Nada: O Conceito de Fjaka No mundo atual, onde a rotina é marcada por uma lista interminável de tarefas e um forte desejo de produção, muitas pessoas sentem-se pressionadas a estar sempre ocupadas. Essa necessidade de estar constantemente ativo, mesmo durante os momentos de lazer, pode levar ao desgaste físico…

Por Juliana Borges3 min de leitura

A Arte de Não Fazer Nada: O Conceito de Fjaka

No mundo atual, onde a rotina é marcada por uma lista interminável de tarefas e um forte desejo de produção, muitas pessoas sentem-se pressionadas a estar sempre ocupadas. Essa necessidade de estar constantemente ativo, mesmo durante os momentos de lazer, pode levar ao desgaste físico e mental. Um estudo recente aponta que, nesta sociedade hiperconectada, problemas como ansiedade, insônia e até depressão tornaram-se comuns. Para muitos, descansar é visto como sinônimo de perda de tempo e oportunidades.

Nesse contexto, surge um conceito originário da Croácia, mais especificamente da região da Dalmácia: a fjaka (pronuncia-se “fíaca”). Essa expressão descreve um estado de tranquilidade e despreocupação, em que a pessoa simplesmente “está”, sem a pressão de ter que fazer algo ou alcançar metas.

O que é Fjaka?

Fjaka pode ser entendida como uma celebração do tempo livre. Em cidades como Dubrovnik e Split, esse estado não é visto como um problema a ser evitado, mas como um privilégio. Durante os meses de calor, as pessoas aproveitam para sentir a brisa do mar, relaxar à sombra e apenas contemplar. Não há planos ou obrigações; o que importa é a capacidade de desacelerar e simplesmente existir.

Benefícios de “Fazer Nada”

Pode parecer contraditório, mas dedicar tempo para não fazer nada conscientemente pode ser uma estratégia eficaz para cuidar da saúde mental. Pesquisas mostram que esse tipo de descanso reduz o estresse e melhora a criatividade e a função cognitiva. Um estudo publicado em uma revista de psicologia revelou que quando a mente não está sobrecarregada de estímulos externos, ela entra em um modo que facilita introspecção, conexões emocionais e fortalecimento da memória. Dessa forma, “não fazer” também pode ser uma forma válida de ação, embora em um nível diferente.

Além disso, pesquisas da Universidade de Melbourne indicam que pequenas pausas ao longo do dia aumentam a produtividade e diminuem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Mesmo breves momentos de cinco minutos, dedicados a olhar pela janela ou simplesmente respirar, podem impactar positivamente na regulação emocional.

Importância da Inatividade Consciente

Especialistas, como a psicologa britânica Claudia Hammond, enfatizam o valor de incorporar períodos de descanso verdadeiro na rotina. Esses momentos ajudam a prevenir o esgotamento crônico e promovem um melhor bem-estar geral. As práticas de fazer nada ou o conceito holandês de niksen têm ganhado atenção nos estudos de saúde mental, evidenciando que parar não é sinônimo de perder tempo, mas de recuperá-lo.

Em resumo, a fjaka pode ser vista como uma ferramenta cultural que nos ensina a resistir à pressão de um sistema que valoriza a exaustão. Parar e dar espaço à mente para descansar é um ato importante de autocuidado, essencial na busca por uma vida mais equilibrada e saudável.

Sobre quem escreveu

Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.

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