A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a utilização de duas substâncias químicas em produtos para unhas em gel. A resolução foi aprovada pela Diretoria Colegiada do órgão em 29 de outubro de 2025.

A medida tem como objetivo proteger a saúde pública diante de evidências de riscos. As substâncias banidas estão associadas ao possível desenvolvimento de câncer e a problemas no sistema reprodutivo, podendo afetar a fertilidade.

As substâncias proibidas são o TPO (óxido de difenil [2,4,6-trimetilbenzol] fosfina) e o DMPT (N,N-dimetil-p-toluidina), também chamado de dimetiltolilamina (DMTA). Elas são usadas como fotoiniciadores e aceleradores em esmaltes em gel, unhas artificiais e produtos similares que secam sob luz UV ou LED.

A decisão da Anvisa segue o mesmo caminho tomado pela União Europeia, que já havia banido esses componentes. Estudos em animais indicaram que a exposição prolongada oferece perigos concretos. O DMPT é classificado como potencialmente cancerígeno para humanos. Já o TPO é considerado tóxico para a reprodução.

Os riscos são maiores para profissionais que manuseiam os produtos com frequência, como técnicos de unhas em salões de beleza. No entanto, usuárias finais também estão sujeitas à exposição. A diretora relatora da matéria na Anvisa, Daniela Marreco, destacou a necessidade de uma ação estatal preventiva. Os danos costumam aparecer após contato repetido e prolongado com as substâncias.

A agência estabeleceu um cronograma para a retirada dos produtos do mercado. Em março de 2026, a fase de fiscalização ativa já estava em andamento. No dia 16 de março de 2026, a Anvisa determinou o recolhimento de esmaltes em gel da marca Impala por conterem TPO.

O setor de beleza deve buscar alternativas seguras que não utilizem essas bases químicas. É importante que as marcas forneçam rótulos claros e fórmulas que respeitem a saúde. Para verificar a segurança de um produto, o consumidor pode consultar o número de registro na embalagem no sistema de consultas da Anvisa.

A proteção da saúde, segundo a agência, começa com informação correta e a escolha consciente de insumos que não apresentem riscos evitáveis. A medida visa alinhar o Brasil aos padrões internacionais de segurança para cosméticos.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.