O hábito de usar o ar-condicionado todas as noites pode adicionar de R$ 60 a R$ 200 na conta de luz. O valor depende da potência do aparelho, do tipo de tecnologia usada e das tarifas cobradas em cada região. Não há um único valor fixo para todos os casos.
Para calcular o gasto real, é preciso multiplicar a potência do equipamento em watts pelo número de horas de uso por dia e pelos dias do mês. O resultado, após ser convertido de Wh para kWh (dividindo por 1.000), mostra o consumo do aparelho no período.
Um modelo convencional de 9.000 BTUs, funcionando por oito horas diárias, tem um consumo mensal próximo de 288 kWh. Já um modelo Inverter da mesma potência consome cerca de 192 kWh no mesmo tempo, segundo simulações de especialistas.
A tecnologia do aparelho altera o consumo de energia. Os modelos convencionais (On/Off) ligam e desligam o compressor em ciclos completos, o que gera picos de consumo. Os aparelhos com tecnologia Inverter variam a velocidade do compressor de forma contínua, mantendo a temperatura estável e usando menos eletricidade.
Variação das tarifas
O preço final do quilowatt-hora muda conforme os impostos estaduais, os custos de distribuição de cada região e as bandeiras tarifárias que estão em vigor. Em períodos de seca, as usinas termelétricas são acionadas, o que aumenta o custo do sistema.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) gerencia o sistema de bandeiras tarifárias para repassar esses custos aos consumidores. A ANEEL projetou uma alta média de 8% nas tarifas para 2026, o dobro da estimativa do IPCA para o mesmo ano, tornando o controle do consumo ainda mais importante.
Como reduzir o consumo
Um erro comum é ajustar o termostato para temperaturas muito baixas. Isso faz o compressor trabalhar no limite sem resfriar o ambiente mais rápido. A faixa de temperatura recomendada por especialistas fica entre 25 °C e 26 °C, que proporciona conforto térmico com menos esforço do aparelho.
Cômodos pequenos que recebem sol direto durante a tarde absorvem e retêm calor nas paredes. Isso obriga o ar-condicionado a trabalhar mais para atingir a temperatura desejada. O efeito é mais relevante no verão, quando as temperaturas externas passam de 35 °C em várias regiões.
Usar tintas claras nas fachadas e aplicar revestimentos térmicos ajuda a refletir a radiação solar e reduz o ganho de calor interno. Aproveitar a ventilação natural nos horários mais frescos também pode diminuir a necessidade de ligar o aparelho.
A função de temporizador é uma das estratégias mais eficientes para reduzir o consumo à noite sem perder conforto. Desligar o equipamento após duas ou três horas de sono, quando o corpo já esfriou naturalmente, pode gerar uma economia real na conta do mês.
Contudo, se o isolamento térmico do ambiente for ruim, o calor vai voltar rapidamente e atrapalhar o sono. O ideal é avaliar o isolamento do cômodo antes de confiar apenas no temporizador como forma de economizar energia.
O controle do uso de eletrodomésticos é um tema recorrente para as famílias. Além do ar-condicionado, outros aparelhos como geladeiras, chuveiros elétricos e máquinas de lavar também têm peso significativo na conta de luz. Entender a potência de cada um e seus horários de uso mais intenso pode ajudar no planejamento e na redução de gastos. Medidas simples, como manter filtros limpos, verificar vedacoes e não bloquear a circulação de ar dos equipamentos, contribuem para um funcionamento mais eficiente.
