Saúde do idoso
Cirurgia ginecológica sem retirar o útero: nova era
No consultório e no centro cirúrgico, a realidade da ginecologia mudou. Em hospitais e clínicas de todo o Brasil , a resposta para doenças como miomas, endometr
No consultório e no centro cirúrgico, a realidade da ginecologia mudou. Em hospitais e clínicas de todo o Brasil, a resposta para doenças como miomas, endometriose e adenomiose nem sempre é a retirada do útero. A histerectomia, por décadas tratada como destino inevitável para essas condições, agora é reservada a casos bem selecionados, conforme explica o ginecologista e obstetra Marcos Vinícius Maia da Mata, especialista em endometriose.
Preservação como meta
A decisão sobre o tratamento cirúrgico passou a ser personalizada. Em 21 de agosto de 2026, o especialista destacou que fatores como idade, intensidade dos sintomas, extensão da doença, desejo de engravidar e projeto de vida da paciente são considerados antes de qualquer procedimento. No caso dos miomas, tumores benignos frequentes que causam sangramento intenso e anemia, a miomectomia surge como alternativa para retirar apenas os nódulos, preservando o órgão. O procedimento pode ser feito por histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia aberta, dependendo do tamanho e da localização das lesões.
Para a endometriose, a abordagem também é individualizada. A doença pode atingir ovários, intestino e bexiga, e a cirurgia busca remover as lesões preservando os órgãos sempre que possível. Segundo o médico, a retirada do útero não é obrigatória e não garante, sozinha, o fim dos sintomas. Já a adenomiose, por estar na musculatura uterina, exige discussão sobre alternativas clínicas e procedimentos conservadores antes da histerectomia, levando em conta a extensão do problema e o desejo reprodutivo da mulher.
Técnicas menos invasivas
O acesso aos órgãos também se transformou. Na histeroscopia, uma câmera é introduzida pelo colo do útero, sem cortes no abdômen, para tratar alterações dentro da cavidade uterina. Na laparoscopia, pequenas incisões permitem a entrada de instrumentos, com menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida em comparação à cirurgia aberta. A cirurgia robótica oferece visão ampliada e precisão, mas o especialista ressalta que não é superior à laparoscopia convencional para doenças benignas, pois o benefício depende da complexidade do caso e da experiência da equipe.
Nem sempre operar
A principal evolução, de acordo com o ginecologista, é saber quando não operar. Mulheres com miomas pequenos e sem sintomas podem não precisar de cirurgia. Casos de endometriose podem começar com tratamento medicamentoso. A indicação cirúrgica fica para situações específicas, como sangramento intenso com anemia e miomas grandes. Quando há desejo de engravidar, a decisão considera idade, reserva ovariana e impacto do procedimento na fertilidade. O médico alerta que preservar o útero não significa automaticamente preservar a capacidade reprodutiva.
Por outro lado, a histerectomia continua sendo a opção mais segura em determinados cenários e não deve ser vista como fracasso. A cirurgia moderna avalia quanto pode ser preservado e qual o impacto na recuperação, na sexualidade e na qualidade de vida. O avanço, conclui o especialista, está em tratar o que precisa ser tratado com segurança, respeitando os planos de cada mulher.