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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Cirurgia ginecológica sem retirar o útero: nova era

No consultório e no centro cirúrgico, a realidade da ginecologia mudou. Em São Paulo , a decisão sobre o tratamento de doenças como miomas, endometriose e adeno

Por suporte2 min de leitura

No consultório e no centro cirúrgico, a realidade da ginecologia mudou. Em São Paulo, a decisão sobre o tratamento de doenças como miomas, endometriose e adenomiose deixou de ter a retirada do útero como destino obrigatório. A histerectomia continua sendo uma ferramenta importante, mas a primeira pergunta dos especialistas agora é outra: existe uma maneira segura de tratar a doença preservando o órgão?

Essa mudança de abordagem, discutida pelo ginecologista Marcos Vinícius Maia da Mata, reflete uma nova forma de enxergar a paciente. Idade, intensidade dos sintomas, extensão da doença, desejo de engravidar e projeto de vida passaram a ser fatores centrais na decisão cirúrgica. No caso dos miomas, por exemplo, tumores benignos que podem causar sangramento intenso e anemia, a miomectomia permite a retirada apenas dos nódulos, preservando o útero. O procedimento pode ser feito por histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia aberta, conforme o tamanho e a localização.

Na endometriose, o raciocínio também é individualizado. A doença pode afetar ovários, intestino e bexiga, e a cirurgia busca remover as lesões preservando os órgãos sempre que possível. A retirada do útero não é obrigatória e não garante, sozinha, o fim dos sintomas. Já a adenomiose, por estar na musculatura uterina, apresenta um desafio maior, mas ainda assim permite discutir alternativas clínicas e procedimentos conservadores antes de optar pela histerectomia.

As técnicas cirúrgicas também evoluíram. A histeroscopia, que introduz uma câmera pelo colo do útero, evita cortes no abdômen e é útil para tratar alterações dentro da cavidade uterina. A laparoscopia, com pequenas incisões, costuma proporcionar menor dor pós-operatória e retorno mais rápido às atividades. A cirurgia robótica, por sua vez, oferece visão ampliada e precisão, mas não é superior à laparoscopia convencional em todos os casos de doenças benignas, conforme o especialista.

A principal evolução, no entanto, está na indicação. Ter tecnologia disponível não significa usá-la. Uma mulher com miomas pequenos e sem sintomas pode não precisar de cirurgia; outra com endometriose pode iniciar com tratamento medicamentoso. A decisão se torna ainda mais delicada quando há desejo de engravidar, exigindo avaliação de idade, reserva ovariana e impacto do procedimento sobre a fertilidade. Preservar o útero a qualquer custo também não é recomendado, e a histerectomia segue como opção segura e definitiva em casos bem selecionados. A cirurgia bem-sucedida, segundo o médico, é aquela que trata o necessário, preserva o possível e respeita os planos de vida de cada mulher.

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