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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Confrei em chá: risco de destruir o fígado

No Brasil, o uso do confrei (Symphytum officinale) é liberado apenas para aplicação tópica, mas a ingestão da planta, especialmente na forma de chá, é proibida

Por suporte2 min de leitura

No Brasil, o uso do confrei (Symphytum officinale) é liberado apenas para aplicação tópica, mas a ingestão da planta, especialmente na forma de chá, é proibida desde o início dos anos 1990. A proibição ocorre porque o consumo oral do confrei pode causar danos severos ao fígado, incluindo cirrose e insuficiência hepática.

O confrei é uma planta nativa da Europa e da Ásia, com registros de uso medicinal que remontam a cerca de 2 mil anos. No Brasil, a planta é facilmente encontrada na natureza ou em lojas especializadas, o que leva muitas pessoas a contrariarem as normas de segurança. A planta contém alantoína, ácido rosmarínico e taninos, substâncias com propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes que justificam seu uso em pomadas, cremes e compressas para o tratamento de feridas, edemas e dores.

Historicamente, o uso externo do confrei foi acompanhado pela preparação do chá, que era consumido para tratar úlceras estomacais, dores de artrite, tosse, congestão nasal e diarreia. No entanto, o chá de confrei apresenta alto risco de hepatotoxicidade. O consumo oral pode levar à síndrome de obstrução sinusoidal, condição em que os pequenos vasos sanguíneos do fígado são bloqueados, evoluindo para cirrose e posterior insuficiência hepática.

Os danos ao fígado estão associados aos alcaloides pirrolizidínicos presentes na planta. Os problemas costumam aparecer entre um e dois meses após o início do uso regular da infusão, mas também há registros de lesões hepáticas agudas causadas pelo consumo em pequenas quantidades ou em momentos pontuais. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não existe dose segura para o consumo de chá de confrei, e a planta não deve ser utilizada no preparo de infusões.

A autorização da Anvisa para o uso externo do confrei está registrada no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira. Produtos de uso tópico, como géis e pomadas com extratos fluidos da planta, são considerados seguros e têm estudos que atestam sua eficácia para o tratamento de dor, inflamação e inchaço em músculos e articulações. A orientação das autoridades sanitárias é que o uso do confrei seja restrito ao lado de fora do corpo, sem qualquer forma de ingestão.

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