Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a demora na compra de vacinas Coronavac pelo governo federal gerou um prejuízo de pelo menos R$ 260 milhões. O relatório foi divulgado nesta semana e analisa a aquisição feita em 2023, já na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o TCU, o processo de compra se arrastou por cerca de sete meses. Essa lentidão foi determinante para que milhões de doses perdessem a validade antes de serem aplicadas. O problema se agravou porque os imunizantes chegaram ao Brasil com prazo de validade reduzido e em um momento de baixa demanda pela vacinação contra a covid-19.

Dos aproximadamente 10 milhões de doses adquiridas, ao menos 8 milhões não chegaram a ser utilizadas. Essas vacinas ficaram armazenadas até o vencimento e acabaram sendo incineradas. Das doses distribuídas aos estados, apenas uma pequena parcela foi efetivamente aplicada na população.

A análise técnica do tribunal indica que houve falha no planejamento da quantidade necessária para atender à demanda. Os auditores também destacaram que o Instituto Butantan, responsável pela produção da Coronavac no Brasil, alertou o governo sobre o risco de perda de validade, mas o alerta não foi suficiente para evitar o desfecho.

Ministério da Saúde se defende

O Ministério da Saúde afirmou que herdou um cenário de “abandono dos estoques” da administração anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro. A pasta declarou que seguiu as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) ao iniciar as negociações. Segundo o governo, o contexto global ainda era de incerteza sobre novas variantes do coronavírus, o que tornou a aquisição necessária mesmo diante da queda na procura.

A apuração no TCU começou após questionamentos de parlamentares da oposição. O relator do caso, Bruno Dantas, afirmou não haver provas de envolvimento direto da então ministra da Saúde, Nísia Trindade, no atraso. No entanto, o tribunal decidiu cobrar explicações de ex-diretores responsáveis pelas compras, que teriam contribuído para a morosidade no processo.

O prejuízo total pode chegar perto de R$ 330 milhões, valor integral do contrato firmado. Das vacinas compradas, apenas cerca de 260 mil doses foram efetivamente aplicadas, o que representa uma perda de até 97% do lote adquirido. O TCU classificou o desperdício como multicausal, mas destacou falhas claras de gestão. Apesar do prejuízo, o tribunal não abriu cobrança imediata dos valores, mas indicou que houve responsabilidade administrativa relevante no caso.

Share.
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.