A pesquisa recente comparou diferentes abordagens no cuidado de pessoas com Alzheimer e outras demências. Os resultados não mostraram diferenças significativas nos sintomas comportamentais dos pacientes ou na carga dos cuidadores, seja por meio de sistemas de saúde, organizações comunitárias ou cuidados habituais ao longo de 18 meses.

O estudo, chamado D-CARE, revelou que a autoconfiança dos cuidadores, que mede a capacidade deles de lidar com os desafios da demência e acessar apoio, melhorou nas abordagens de saúde e comunitária. Essa autoconfiança foi maior do que nos que receberam cuidados habituais. Essa melhoria na autoconfiança apareceu em até 6 meses e se manteve durante todo o estudo.

O Dr. David Reuben, professor de Geriatria na UCLA e principal responsável pelo estudo, destacou que esse é o maior levantamento de diferentes métodos de cuidado em demência até agora. Os cuidadores têm um papel crucial na vida de pessoas com demência. A confiança deles em lidar com a pressão e a situação é muito importante. Ao se sentirem mais seguros, eles podem buscar mais recursos e manter as pessoas com demência em casa por mais tempo.

Os resultados do estudo serão publicados no dia 29 de janeiro na revista Journal of the American Medical Association (JAMA).

Financiado pelo Instituto de Pesquisa de Resultados Centrado no Paciente e pelo Instituto Nacional de Envelhecimento, o D-CARE tinha como objetivo comparar a eficácia de dois métodos de cuidado já estabelecidos e também em relação aos cuidados habituais. O estudo envolveu 2.176 pessoas com demência e seus cuidadores, sendo conduzido de junho de 2019 a agosto de 2023.

O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. A gestão de dados e estatísticas foi realizada pelo Yale Data Coordinating Center. As pesquisas aconteceram em quatro locais clínicos: Atrium Health Wake Forest Baptist, Baylor Scott & White Health, Universidade do Texas Medical Branch e Geisinger Health. O apoio veio de instituições como o Benjamin Rose Institute on Aging e o Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Oklahoma. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre três grupos: cuidado baseado no sistema de saúde, cuidado por meio de organizações comunitárias ou cuidados habituais.

Os resultados deixaram claro que entender como funciona o cuidado em demência é complicado, especialmente durante a pandemia de COVID-19. Algumas vantagens dos métodos podem não ter sido totalmente registradas nas análises feitas. Os efeitos das intervenções sobre como os serviços de saúde foram utilizados ainda estão sendo estudados.

As descobertas do D-CARE têm implicações importantes para sistemas de saúde, grupos médicos, organizações comunitárias, políticos e seguradoras que buscam melhorar o cuidado em demência. Os dados indicam que, embora os programas de saúde e os comunitários não tenham se mostrado mais eficientes em aliviar a carga dos cuidadores ou em gerenciar o comportamento dos pacientes, eles ajudam os cuidadores a lidarem melhor com os desafios do cuidado em demência.

Esses resultados lembram que diferentes jeitos de cuidar de pessoas com demência podem levar a resultados clínicos parecidos. Isso pode ser especialmente útil para instituições que fazem parte do novo programa Medicare chamado Guia para uma Experiência de Demência Melhorada (GUIDE). Análises futuras do D-CARE devem trazer mais informações sobre a eficácia dos cuidados em saúde e comunitários no tratamento de demência.

O D-CARE recebeu financiamento do Patient-Centered Outcomes Research Institute e do National Institute on Aging. O estudo conta com quatro locais principais de ensaio clínico, além de suporte adicional por outros centros de pesquisa e saúde, que também colaboraram para o sucesso da pesquisa.

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Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.