Estudo Revela Possível Tratamento para Prevenir Demência de Alzheimer em Jovens
Um novo remédio experimental pode ajudar a reduzir o risco de demência relacionada ao Alzheimer em pessoas que estão predestinadas a desenvolver a doença entre os 30 e 50 anos. Essa descoberta vem de uma pesquisa realizada pela Knight Family Dominantly Inherited Alzheimer Network-Trials Unit (DIAN-TU), em St. Louis. O estudo sugere, pela primeira vez, que tratar o acúmulo de placas de proteína beta-amiloide no cérebro muito antes do aparecimento dos sintomas pode atrasar a demência por Alzheimer.
Atualização das Pesquisas
O estudo foi publicado recentemente em uma revista científica respeitada. A pesquisa envolveu 73 pessoas com mutações genéticas raras que levam à produção excessiva de beta-amiloide no cérebro. Para a maioria desses participantes, a doença de Alzheimer é praticamente uma certeza na meia-idade. Um grupo de 22 participantes, que começou o estudo sem problemas cognitivos e usou o remédio por cerca de oito anos, viu o risco de desenvolvimento de sintomas cair de quase 100% para aproximadamente 50%. Isso mostra um impacto poderoso do tratamento em longo prazo.
Entendimento dos Resultados
Randall J. Bateman, um dos principais autores do estudo, comentou que todos os participantes estavam destinados a desenvolver Alzheimer, mas alguns ainda não apresentam sintomas. Ele disse que não sabemos exatamente por quanto tempo essas pessoas ficarão sem sintomas. Para oferecer a melhor chance de manter a saúde cognitiva, foram oferecidos tratamentos adicionais com outro anticorpo anti-amiloide, na esperança de que esses pacientes nunca desenvolvam sintomas. O que fica claro é que é possível atrasar o início do Alzheimer e proporcionar mais anos de vida saudável.
A pesquisa traz novas evidências que confirmam a hipótese amiloide, que diz que o acúmulo de placas no cérebro é o primeiro passo rumo à demência. A ideia é que, ao remover essas placas ou impedir sua formação, podemos atrasar o aparecimento dos sintomas. Os pesquisadores avaliaram os efeitos do remédio anti-amiloide experimental para verificar se ele poderia prevenir a demência.
A Inspiração para o Estudo
Os participantes do estudo já tinham participado de uma pesquisa anterior, a primeira do mundo focada em prevenir o Alzheimer, chamada DIAN-TU-001. Essa pesquisa começou em 2012, com o objetivo de avaliar medicações que pudessem atuar como terapias preventivas para a doença. Todos os participantes apresentavam um leve declínio cognitivo, e estavam dentro de uma faixa de 15 anos antes e 10 anos depois da idade esperada de início dos sintomas, baseado na história familiar.
Resultados Mistos e Continuação da Pesquisa
Ao término da pesquisa em 2020, os pesquisadores notaram que o remédio gantenerumab, produzido pela Roche, ajudou a reduzir os níveis de beta-amiloide no cérebro. Embora não tivessem observado benefícios cognitivos claros, porque o grupo sem sintomas não apresentou piora, decidiram dar continuidade ao estudo. A nova fase da pesquisa, chamada extensão aberta, permitiu que os cientistas continuassem estudando os efeitos da ganterenumab e verificassem se doses maiores ou tratamentos mais longos poderiam prevenir ou atrasar o declínio cognitivo.
Todos os participantes da continuidade do estudo, que apresentavam mutações genéticas de alto risco para Alzheimer, puderam continuar, independentemente de terem recebido o gantenerumab, outro medicamento ou placebo. Como todos tomaram o remédio experimental, não houve um grupo de controle interno. Assim, os pesquisadores compararam esses participantes a um grupo de pessoas de um estudo relacionado, chamado DIAN Observational, que não usaram medicamentos.
Mudança na Pesquisa
Inicialmente, a extensão da pesquisa estava prevista para durar três anos, mas foi encerrada em meados de 2023, quando a Roche decidiu interromper o desenvolvimento do gantenerumab, após os resultados decepcionantes de ensaios clínicos que não atingiram suas metas principais. Durante a extensão, os participantes estavam em tratamento há, em média, 2,6 anos.
Analisando os dados, os pesquisadores notaram que a remoção das placas de beta-amiloide anos antes do aparecimento dos sintomas pode atrasar o início da demência. Essa eficácia foi mais significativa entre os participantes sem sintomas que usaram o remédio por mais tempo. Aqueles que receberam gantenerumab apenas durante a extensão, ainda não mostraram alteração na função cognitiva.
Efeitos Colaterais Relevantes
O gantenerumab e outros medicamentos anti-amiloide podem ter efeitos colaterais. Um deles é conhecido como anomalias relacionadas à imagem de amiloide (ARIA), que aparecem em exames cerebrais e se referem a pequenas manchas de sangue ou inchaço local no cérebro. No entanto, a maioria dos casos não apresenta sintomas e se resolve por conta própria. Em raras ocasiões, algumas situações de ARIA foram mais graves e estiveram ligadas a mortes. No estudo, a taxa de ARIA foi um terço maior do que na pesquisa original, atribuída a doses mais altas. Embora dois participantes tenham precisado interromper o uso devido a ARIA, não houve eventos adversos graves nem mortes.
Novas Iniciativas na Pesquisa
Para entender melhor por quanto tempo o Alzheimer pode ser atrasado através da remoção de beta-amiloide, os pesquisadores lançaram um novo estudo chamado Knight Family DIAN-TU Amyloid Removal Trial, com apoio inicial da Associação de Alzheimer. Como o gantenerumab foi descontinuado, muitos participantes da extensão começaram a receber o lecanemab, outro medicamento aprovado para retardar o declínio cognitivo em quem já apresenta os primeiros sintomas da doença.
Ainda não foram analisados os dados dessa fase. Os pesquisadores estão esperando uma aprovação de recursos para continuar o estudo.
Embora esse estudo tenha se concentrado em pessoas com formas genéticas do Alzheimer que aparecem precocemente, os pesquisadores acreditam que suas descobertas beneficiarão todos os esforços de prevenção e tratamento da doença. Tanto o Alzheimer de início precoce quanto o tardio começam com o acúmulo de beta-amiloide no cérebro, que pode ocorrer até 20 anos antes dos problemas de memória se manifestarem. Além disso, os resultados desse ensaio para famílias com mutações de Alzheimer foram replicados em estudos de Alzheimer de início tardio.
O Futuro da Pesquisa
Experimentos futuros em prevenção de Alzheimer poderão surgir caso os ensaios mostrem resultados semelhantes aos obtidos com o DIAN-TU. Isso poderia abrir portas para tratamentos para a população em geral, com a esperança de que um dia possamos atrasar o início do Alzheimer para milhões. Enquanto isso, outros medicamentos anti-amiloide estão sendo avaliados na busca por opções preventivas.
Esses resultados iniciais são encorajadores e apontam claramente para a importância de reduzir a beta-amiloide para prevenir a doença. As pesquisas em Alzheimer e outras doenças que causam demência precisam continuar, se expandir e acelerar, pois isso pode levar a descobertas significativas no futuro.
Outras soluções estão sendo testadas, como o remternetug, um remédio da Eli Lilly, em uma nova fase de prevenção. Nesta fase, pessoas bem jovens, a partir de 18 anos e sem alterações moleculares relacionadas ao Alzheimer, estão sendo recrutadas para verificar se bloquear mudanças moleculares iniciais pode prevenir a doença.
Essa pesquisa tem o potencial de abrir novos caminhos para tratar e prevenir a demência, trazendo esperança a muitas famílias.

