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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Endometriose: o que falta para avançar no tratamento?

Em São Paulo , durante o 10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose , realizado neste mês, especialistas discutiram o

Por suporte3 min de leitura

Em São Paulo, durante o 10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose, realizado neste mês, especialistas discutiram os avanços e os desafios no tratamento da endometriose. O evento reuniu nomes nacionais e internacionais para debater temas como a endometriose profunda, o diagnóstico por imagem e os limites da cirurgia robótica.

No Brasil, a doença atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, um contingente que se conta em milhões. Apesar do conhecimento acumulado e das técnicas cirúrgicas precisas, muitas pacientes ainda convivem com a dor por anos antes de receberem o diagnóstico. O intervalo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença pode ser contado em anos, um atraso alimentado pela naturalização da dor feminina.

Os avanços na área incluem a ressonância magnética e o ultrassom transvaginal com preparo, que permitem identificar a endometriose com precisão. Esses recursos, porém, ainda estão mal distribuídos pelo país. Levar o diagnóstico de excelência a todas as regiões é considerado a fronteira mais urgente, pois cada ano perdido cobra seu preço em dor e infertilidade.

O tratamento não segue uma conduta única. Cada mulher exige uma decisão individualizada, que leve em conta os sintomas, o desejo de ter filhos e a extensão da doença. O manejo clínico e hormonal responde bem a muitos casos, enquanto a cirurgia, quando indicada, deve ser minimamente invasiva e capaz de preservar função e fertilidade. A videolaparoscopia e a cirurgia robótica ampliaram a capacidade de operar com segurança, mas o excesso de intervenção também é considerado um erro.

O modelo multidisciplinar foi defendido como essencial. Nutrição, fisioterapia pélvica, manejo da dor e cuidado com a saúde mental atuam ao lado do ginecologista, em um cuidado que enxerga a mulher inteira. Quando a dor deixa de ser um sintoma e se torna a própria doença, o tratamento precisa mudar de lógica.

Durante o congresso, uma sessão foi dedicada à inteligência artificial na cirurgia minimamente invasiva. Os debates trataram de como a tecnologia pode encurtar o caminho do diagnóstico e personalizar condutas, com senso crítico sobre o que a IA de fato entrega e o que ainda é promessa. O equilíbrio entre entusiasmo e prudência deve guiar a incorporação de novidades à medicina.

Os especialistas apontam que a ciência busca diagnósticos mais precoces, apoiados por exames com biomarcadores que ainda estão por encontrar. Também trabalham por terapias mais individualizadas e de menor impacto. Investir na formação de cirurgiões e radiologistas capazes de reconhecer a doença em suas formas sutis é decisivo, pois a melhor tecnologia se torna inútil sem olhos treinados para interpretá-la.

Segundo Sérgio Podgaec, professor de ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva, é preciso uma mudança cultural que reconheça que a dor da mulher merece investigação. O compromisso é transformar o que foi aprendido em acesso, diagnóstico no tempo certo e qualidade de vida para milhões de brasileiras.

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