Pular para o conteúdo
Medicina Geriátrica

Dicas

Epilepsia na infância pode aumentar risco de distúrbios de memória

Pesquisadores da Universidade de Turku, da Åbo Akademi University, na Finlândia, e da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, mostraram que pessoas que t

Por Juliana Borges5 min de leitura
Epilepsia na infância pode aumentar risco de distúrbios de memória
Epilepsia na infância pode aumentar risco de distúrbios de memória

Pesquisadores da Universidade de Turku, da Åbo Akademi University, na Finlândia, e da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, mostraram que pessoas que tiveram epilepsia na infância podem acumular mais proteína amiloide no cérebro ao longo da vida. Isso pode aumentar o risco delas de desenvolver doenças relacionadas ao amiloide, como o Alzheimer, mais tarde.

A proteína beta-amiloide no cérebro é um sinal inicial de alterações patológicas que podem levar ao Alzheimer. Porém, os motivos exatos para o acúmulo dessa proteína ainda não estão claros. O estudo aproveitou um grupo único de pessoas, que inclui indivíduos que tiveram epilepsia na infância e um grupo de controle que nunca teve a doença. Essa pesquisa começou na década de 60, liderada pelo neurologista Matti Sillanpää, que agora é Professor Emérito.

Esse grupo vem sendo acompanhado ao longo dos anos, e essa pesquisa contínua conta com a colaboração de pesquisadores nacionais e internacionais. O estudo mais recente focou nos participantes que estão próximos de se aposentar ou que já se aposentaram.

Na última fase do estudo, realizada entre 2013 e 2016, os pesquisadores perceberam que as pessoas que tiveram epilepsia na infância tinham mais placas de amiloide no cérebro do que os participantes do grupo de controle. Essa vontade de entender melhor a situação levou ao estudo atual, conforme explica Juho Joutsa, professor de Neurologia na Universidade de Turku.

No novo estudo, realizado cerca de sete anos após a fase anterior, os participantes tinham entre 60 e 65 anos. O estudo contou com 82% dos participantes da fase anterior, totalizando 36 pessoas que tiveram epilepsia na infância e 35 do grupo de controle.

Entre os participantes que tiveram epilepsia, quase um terço apresentou acúmulo anormal de amiloide. Por outro lado, apenas 11% dos do grupo de controle mostraram esse mesmo acúmulo. Durante o acompanhamento de sete anos, o grupo que teve epilepsia acumulou mais amiloide no cérebro do que o grupo de controle. Além disso, esses pacientes tiveram resultados inferiores em testes cognitivos, mas isso não estava diretamente ligado à quantidade de placas de amiloide.

Essa situação sugere que o acúmulo de amiloide no cérebro ainda não resultou em problemas de memória. Joutsa ressalta que o estudo, com esse acompanhamento, oferece uma visão única sobre os efeitos de longo prazo da epilepsia na infância.

O estudo se beneficiou de métodos modernos de imagem cerebral, que foram desenvolvidos anos depois do início do acompanhamento. Juho Joutsa, que se formou há pouco tempo, foi incorporado à equipe para ajudar na análise das imagens cerebrais no início de 2010.

Os resultados proporcionam informações novas sobre as consequências a longo prazo da epilepsia infantil no cérebro. O acompanhamento continua e, conforme Joutsa, esse estudo é um exemplo do que pode ser alcançado com a dedicação tanto dos participantes quanto dos pesquisadores ao longo do tempo, além da colaboração entre áreas diferentes e entre diferentes gerações de cientistas.

Esse tipo de pesquisa é importante, pois oferece um panorama mais claro do impacto da epilepsia durante a infância na saúde mental na vida adulta. Os pesquisadores pretendem seguir com o acompanhamento desse grupo e aprofundar o entendimento sobre o acúmulo de amiloide e suas consequências.

Além disso, a troca de experiências e conhecimentos entre os pesquisadores de diferentes instituições e países tem sido fundamental. Esses estudos são complexos, mas o comprometimento das equipes envolvidas tem trazido resultados significativos que podem beneficiar o conhecimento médico e científico.

As descobertas feitas vão além da epilepsia em si. Elas abrem portas para a investigação de como outras condições podem afetar a saúde mental e cognitiva ao longo da vida. Com isso, espera-se que novos tratamentos e estratégias possam ser desenvolvidos para lidar com doenças neurodegenerativas.

Assim, a cooperação em pesquisas como essa traz benefícios que vão muito além do grupo específico de participantes, podendo impactar a saúde de muitas outras pessoas. O comprometimento em coletar e analisar dados ao longo de décadas é essencial para aumentar o conhecimento sobre a saúde cerebral.

Esses dados são fundamentais não apenas para os médicos, mas também para a sociedade em geral. Com informações mais claras, é possível criar campanhas de conscientização e programas de apoio para quem lida com condições como a epilepsia. Isso ajuda a eliminar preconceitos e a promover uma melhor qualidade de vida para todos.

Afinal, compreender as relações entre doenças da infância e seus efeitos a longo prazo é uma parte crucial da medicina moderna. O foco em estudos como esses é fundamental para garantir que as futuras gerações tenham um entendimento mais aprofundado sobre o impacto da saúde na infância.

Assim, novas pesquisas surgem a partir deste estudo, alimentando um círculo vicioso de aprendizado e descoberta. Cada nova informação pode transformar o panorama da saúde mental e cognitiva, principalmente para aqueles que enfrentam desafios a partir de condições prévias.

É uma caminhada longa, mas necessária. Os resultados apresentados até agora mostram a importância do acompanhamento contínuo e do investimento em pesquisas que busquem entender melhor as complexidades do cérebro humano e suas reações ao longo da vida. Isso é algo valioso e essencial para a evolução da medicina.

Sobre quem escreveu

Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.

Nos torne uma fonte preferida no Google

Continue lendo

Leia também