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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Estudo confirma precisão de teste sanguíneo para Alzheimer em asiáticos

A pesquisa publicada na revista “Alzheimer’s & Dementia” mostra que o biomarcador p-tau217, encontrado no sangue, é muito eficaz para identificar problemas

Por Juliana Borges4 min de leitura
Estudo confirma precisão de teste sanguíneo para Alzheimer em asiáticos
Estudo confirma precisão de teste sanguíneo para Alzheimer em asiáticos

A pesquisa publicada na revista “Alzheimer’s & Dementia” mostra que o biomarcador p-tau217, encontrado no sangue, é muito eficaz para identificar problemas cerebrais relacionados ao Alzheimer. Esse marcador é importante porque indica a presença de beta-amilóide, uma substância que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer. O estudo é ainda mais relevante para indivíduos com doenças cerebrovasculares, que são comuns em populações asiáticas. Isso pode melhorar o diagnóstico precoce, ajudar a classificar melhor os riscos dos pacientes e facilitar o tratamento de Alzheimer em diferentes grupos.

O estudo foi conduzido pelo Dr. Mitchell Lai, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Cingapura. Ele contou com a colaboração de especialistas locais e internacionais, incluindo a Universidade de Gothenburg e o Instituto de Neurologia da University College London.

Avanços na pesquisa sobre Alzheimer na Ásia

Os biomarcadores baseados em sangue, como o p-tau217, já foram bastante estudados em populações ocidentais, onde as doenças cerebrovasculares não são tão prevalentes. Este estudo, porém, se concentra em um grupo de pessoas em Cingapura, que é mais representativo da população asiática e apresenta uma alta carga de doenças cerebrovasculares. Os resultados mostraram que níveis mais altos de p-tau217 no sangue estão ligados a um declínio cognitivo mais rápido. Isso reforça a ideia de que esse biomarcador não serve apenas para diagnóstico, mas também pode prever a progressão da doença.

Mudanças na forma de diagnosticar Alzheimer: um avanço na prática clínica

As possíveis aplicações clínicas desse estudo incluem:

  1. Detecção mais rápida e precisa: O p-tau217 torna possível identificar alterações relacionadas ao Alzheimer antes que ocorra um grande declínio cognitivo. Isso pode permitir intervenções mais cedo e melhor acompanhamento dos pacientes.

  2. Ferramenta de diagnóstico simples e não invasiva: Ao contrário de exames como a tomografia por emissão de pósitrons (PET), que são caros e invasivos, o uso de um biomarcador no sangue poderia ser facilmente integrado nas práticas clínicas do dia a dia, tornando o rastreio do Alzheimer mais acessível.

  3. Classificação dos riscos dos pacientes: Com a adição do p-tau217 nas avaliações clínicas, os médicos podem categorizar os pacientes em grupos de risco baixo, intermediário e alto para a doença. Isso ajuda na criação de estratégias de acompanhamento personalizadas e possíveis intervenções precoces.

O Professor Christopher Chen, diretor do Centro de Memória, Envelhecimento e Cognição na NUHS, afirmou que esse estudo traz evidências fortes de que o p-tau217 pode revolucionar a detecção precoce das mudanças cerebrais relacionadas ao Alzheimer em populações asiáticas, que têm uma alta carga de doenças cerebrovasculares. Ele acredita que o uso desse biomarcador facilita a abordagem ao diagnóstico e tratamento do Alzheimer em Cingapura e outros lugares.

A Dr. Joyce Chong, pesquisadora do Departamento de Farmacologia da NUS Medicine e a primeira autora do estudo, complementou dizendo que, embora biomarcadores no sangue não substituam totalmente os métodos tradicionais, como a PET, eles têm grande valor por serem custo-efetivos e minimamente invasivos. Isso pode ajudar a diminuir o número de pessoas que precisam passar por exames confirmatórios mais caros, como a PET.

O grupo de pesquisa pretende expandir o estudo no futuro. Eles desejam aumentar tanto o período de acompanhamento quanto a diversidade dos biomarcadores analisados. O Dr. Lai comentou que há uma crescente conscientização de que demência é uma condição crônica que surge de processos complexos e interligados. Isso é especialmente verdadeiro em populações onde as doenças cerebrovasculares são contribuintes importantes para as deficiências cognitivas relacionadas ao Alzheimer. O objetivo de longo prazo da equipe é criar um painel de biomarcadores multifacetados e clinicamente úteis, que possa apontar novas opções terapêuticas e auxiliar no diagnóstico e prognóstico dessa condição debilitante.

Essa pesquisa representa um avanço significativo no entendimento da demência e suas diversas causas. O uso de biomarcadores como o p-tau217 no sangue é um passo importante para melhorar a forma como os médicos podem diagnosticar e tratar o Alzheimer. Isso pode mudar a vida de muitas pessoas afetadas pela doença e suas famílias, oferecendo uma chance melhor para diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes. Com essa inovação, espera-se que o cuidado com a saúde mental avance, tornando-se mais acessível e adaptativo às necessidades de diferentes populações. A busca por mais estudos e melhorias neste campo é fundamental para que se possa enfrentar os desafios que o Alzheimer e outras demências apresentam.

Sobre quem escreveu

Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.

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