A pesquisa publicada na revista “Alzheimer’s & Dementia” mostra que o biomarcador p-tau217, encontrado no sangue, é muito eficaz para identificar problemas cerebrais relacionados ao Alzheimer. Esse marcador é importante porque indica a presença de beta-amilóide, uma substância que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer. O estudo é ainda mais relevante para indivíduos com doenças cerebrovasculares, que são comuns em populações asiáticas. Isso pode melhorar o diagnóstico precoce, ajudar a classificar melhor os riscos dos pacientes e facilitar o tratamento de Alzheimer em diferentes grupos.

O estudo foi conduzido pelo Dr. Mitchell Lai, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Cingapura. Ele contou com a colaboração de especialistas locais e internacionais, incluindo a Universidade de Gothenburg e o Instituto de Neurologia da University College London.

Avanços na pesquisa sobre Alzheimer na Ásia

Os biomarcadores baseados em sangue, como o p-tau217, já foram bastante estudados em populações ocidentais, onde as doenças cerebrovasculares não são tão prevalentes. Este estudo, porém, se concentra em um grupo de pessoas em Cingapura, que é mais representativo da população asiática e apresenta uma alta carga de doenças cerebrovasculares. Os resultados mostraram que níveis mais altos de p-tau217 no sangue estão ligados a um declínio cognitivo mais rápido. Isso reforça a ideia de que esse biomarcador não serve apenas para diagnóstico, mas também pode prever a progressão da doença.

Mudanças na forma de diagnosticar Alzheimer: um avanço na prática clínica

As possíveis aplicações clínicas desse estudo incluem:

  1. Detecção mais rápida e precisa: O p-tau217 torna possível identificar alterações relacionadas ao Alzheimer antes que ocorra um grande declínio cognitivo. Isso pode permitir intervenções mais cedo e melhor acompanhamento dos pacientes.

  2. Ferramenta de diagnóstico simples e não invasiva: Ao contrário de exames como a tomografia por emissão de pósitrons (PET), que são caros e invasivos, o uso de um biomarcador no sangue poderia ser facilmente integrado nas práticas clínicas do dia a dia, tornando o rastreio do Alzheimer mais acessível.

  3. Classificação dos riscos dos pacientes: Com a adição do p-tau217 nas avaliações clínicas, os médicos podem categorizar os pacientes em grupos de risco baixo, intermediário e alto para a doença. Isso ajuda na criação de estratégias de acompanhamento personalizadas e possíveis intervenções precoces.

O Professor Christopher Chen, diretor do Centro de Memória, Envelhecimento e Cognição na NUHS, afirmou que esse estudo traz evidências fortes de que o p-tau217 pode revolucionar a detecção precoce das mudanças cerebrais relacionadas ao Alzheimer em populações asiáticas, que têm uma alta carga de doenças cerebrovasculares. Ele acredita que o uso desse biomarcador facilita a abordagem ao diagnóstico e tratamento do Alzheimer em Cingapura e outros lugares.

A Dr. Joyce Chong, pesquisadora do Departamento de Farmacologia da NUS Medicine e a primeira autora do estudo, complementou dizendo que, embora biomarcadores no sangue não substituam totalmente os métodos tradicionais, como a PET, eles têm grande valor por serem custo-efetivos e minimamente invasivos. Isso pode ajudar a diminuir o número de pessoas que precisam passar por exames confirmatórios mais caros, como a PET.

O grupo de pesquisa pretende expandir o estudo no futuro. Eles desejam aumentar tanto o período de acompanhamento quanto a diversidade dos biomarcadores analisados. O Dr. Lai comentou que há uma crescente conscientização de que demência é uma condição crônica que surge de processos complexos e interligados. Isso é especialmente verdadeiro em populações onde as doenças cerebrovasculares são contribuintes importantes para as deficiências cognitivas relacionadas ao Alzheimer. O objetivo de longo prazo da equipe é criar um painel de biomarcadores multifacetados e clinicamente úteis, que possa apontar novas opções terapêuticas e auxiliar no diagnóstico e prognóstico dessa condição debilitante.

Essa pesquisa representa um avanço significativo no entendimento da demência e suas diversas causas. O uso de biomarcadores como o p-tau217 no sangue é um passo importante para melhorar a forma como os médicos podem diagnosticar e tratar o Alzheimer. Isso pode mudar a vida de muitas pessoas afetadas pela doença e suas famílias, oferecendo uma chance melhor para diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes. Com essa inovação, espera-se que o cuidado com a saúde mental avance, tornando-se mais acessível e adaptativo às necessidades de diferentes populações. A busca por mais estudos e melhorias neste campo é fundamental para que se possa enfrentar os desafios que o Alzheimer e outras demências apresentam.

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Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.