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Fratura do Rádio Distal em Idosos: Recuperação e Cuidados

A fratura mais comum do braço depois dos 60 anos vem de uma queda banal com a mão espalmada. Veja os sinais, o que fazer nas primeiras horas e quanto dura a rec

6 min de leitura
idosa com o punho imobilizado por gesso apoiado em tipoia em casa
idosa com o punho imobilizado por gesso apoiado em tipoia em casa

Basta um tropeço no tapete da sala. A pessoa estende a mão para amortecer a queda, apoia o peso do corpo no punho e ouve o estalo. Depois dos 60 anos, esse gesto instintivo é a causa mais comum de fratura no antebraço, e a idade em que ele acontece não é coincidência: o osso já vem perdendo densidade há anos.

Que fratura é essa

O rádio é o osso do antebraço que termina no punho, do lado do polegar. Quando ele quebra na parte final, junto à articulação, o quadro recebe o nome de fratura do rádio distal. É a fratura mais frequente do membro superior e responde por cerca de um sexto de todas as fraturas atendidas em pronto-socorro.

Em pessoas jovens, ela costuma vir de trauma de alta energia, como acidente de moto ou queda de altura. Em quem passou dos 60, o mecanismo é outro e bem mais banal: a queda da própria altura, com a mão espalmada no chão.

Por que ela é tão comum na terceira idade

FatorO que ele muda
Perda de massa ósseaO osso resiste a menos impacto e quebra com queda leve
Reflexo de proteçãoA mão vai à frente automaticamente e recebe todo o peso
Equilíbrio reduzidoAumenta a frequência das quedas dentro de casa
Medicamentos que dão tonturaSedativos e anti-hipertensivos elevam o risco
Visão prejudicadaDegraus e desníveis passam despercebidos

A maior parte dessas quedas acontece em ambiente doméstico, em situações corriqueiras: o caminho até o banheiro à noite, o tapete solto, o piso molhado da cozinha. Reduzir esse risco é a forma mais eficaz de evitar a fratura, e reunimos as medidas que funcionam em 10 passos para prevenir quedas em idosos.

Sinais de que o punho quebrou

  • Dor intensa e imediata, que piora ao tentar mover a mão.
  • Inchaço que aparece nos primeiros minutos.
  • Deformidade visível, com o punho assumindo formato de garfo.
  • Dificuldade ou impossibilidade de segurar objetos.
  • Formigamento nos dedos, sinal de que o nervo está sendo comprimido.

Nem toda fratura deforma o punho. Existem casos em que o osso trinca sem sair do lugar, a dor é suportável e a pessoa passa dias achando que foi apenas uma torção. É por isso que dor de punho que não melhora em dois ou três dias após uma queda merece radiografia, mesmo sem deformidade.

O que fazer nas primeiras horas

  1. Imobilize o antebraço com uma tala improvisada, como uma revista dobrada, e apoie o braço com uma tipoia.
  2. Aplique gelo envolto em pano por vinte minutos, sem encostar diretamente na pele.
  3. Mantenha a mão elevada acima do nível do coração para conter o inchaço.
  4. Retire anéis e pulseiras antes que o inchaço aumente.
  5. Procure atendimento no mesmo dia, sem tentar puxar ou endireitar o punho.

Tentar recolocar o osso no lugar por conta própria é o erro mais grave dessa fase. A manobra pode deslocar fragmentos, lesionar nervos e transformar uma fratura simples em cirúrgica.

Gesso ou cirurgia

A decisão depende de quanto o osso saiu do lugar, de a fratura atingir ou não a superfície da articulação e da demanda funcional da pessoa. Quem mora sozinho e precisa da mão para tudo tem exigência diferente de quem conta com ajuda em casa.

SituaçãoConduta habitual
Osso alinhado, sem desvioImobilização com gesso por quatro a seis semanas
Desvio corrigível na sala de emergênciaRedução e gesso, com radiografia de controle
Fratura instável, que volta a desviarCirurgia com placa e parafusos
Fratura que atinge a articulaçãoCirurgia, para restaurar a superfície
Vários fragmentosCirurgia, às vezes com enxerto

A radiografia de controle na primeira e na segunda semana existe justamente porque uma fratura considerada estável pode desviar dentro do gesso, com o inchaço diminuindo e o molde afrouxando.

Quanto tempo leva a recuperação

FasePeríodoO que acontece
Imobilização4 a 6 semanasConsolidação inicial do osso
Retirada do gessoSemana 6Punho rígido e mão enfraquecida, o que é esperado
Fisioterapia6 a 12 semanasRecuperação de movimento e força
Retorno às atividades3 a 6 mesesForça de preensão volta por último

A rigidez após a retirada do gesso assusta muita gente, mas faz parte do processo. Seis semanas sem movimento deixam a articulação endurecida, e é a fisioterapia que devolve a amplitude. Começar cedo os exercícios de dedos, cotovelo e ombro, ainda com o gesso, encurta bastante essa etapa.

Cuidados em casa durante a imobilização

  • Mexa os dedos várias vezes ao dia, abrindo e fechando a mão devagar.
  • Movimente cotovelo e ombro para não enrijecer o braço inteiro.
  • Mantenha o gesso seco, protegendo-o com saco plástico no banho.
  • Procure o ortopedista se surgir dor crescente, dedos roxos, frios ou dormentes.
  • Adapte a rotina: talheres de cabo grosso e roupas sem botão facilitam muito.

A fratura como alerta de osteoporose

Fratura de punho por queda simples depois dos 60 anos costuma ser o primeiro aviso de que a densidade óssea caiu. Ela frequentemente antecede, em alguns anos, fraturas mais graves, como a de fêmur. Por isso, o atendimento não deveria terminar na consolidação do osso: vale investigar a densidade óssea, revisar vitamina D e cálcio e avaliar o risco de novas quedas.

Encarar esse episódio apenas como azar é perder a chance de evitar o próximo, que tende a ser mais sério. Vale lembrar que a mesma queda costuma atingir mais de uma articulação, e o joelho é o segundo alvo mais frequente, como mostramos em lesão no joelho por queda em idosos.

Perguntas frequentes

Dá para andar com o punho quebrado sem perceber?

Dá, quando a fratura não desloca o osso. A dor é moderada e o inchaço discreto, e o diagnóstico só aparece na radiografia.

Quanto tempo fica engessado?

De quatro a seis semanas na maioria dos casos, com radiografias de controle para confirmar que o osso não desviou.

A cirurgia deixa a placa para sempre?

Em geral sim. A placa só é retirada se causar incômodo, atrito com tendões ou alguma complicação.

O punho volta a ser como antes?

Na maioria das vezes a função volta bem, embora possa restar leve limitação de movimento ou dor em mudanças de tempo, sobretudo quando a fratura atingiu a articulação.

Precisa de fisioterapia mesmo sem cirurgia?

Precisa. A rigidez vem do tempo imobilizado, não do tipo de tratamento, e a reabilitação encurta o retorno às atividades.

Resumo

A fratura do rádio distal é a quebra da ponta do osso do antebraço junto ao punho e aparece, na terceira idade, quase sempre após queda da própria altura com a mão espalmada. Imobilize, aplique gelo, mantenha o braço elevado e procure atendimento no mesmo dia, sem tentar corrigir o osso. O tratamento vai do gesso à cirurgia conforme o desvio, a recuperação leva de três a seis meses e a fisioterapia é indispensável. Acima de tudo, trate o episódio como sinal de alerta: investigar osteoporose e reduzir o risco de quedas evita a próxima fratura.

Perder força para levantar o braço depois de uma queda tem outras causas além do punho, e o teste que separa lesão de tendão de ombro congelado está em não consigo levantar o braço.

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