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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Gastroparesia: causas, sintomas e risco com canetas emagrecedoras

No consultório médico ou na sala de emergência, a gastroparesia se apresenta como um distúrbio da motilidade gástrica que retarda ou interrompe o esvaziamento d

Por suporte4 min de leitura

No consultório médico ou na sala de emergência, a gastroparesia se apresenta como um distúrbio da motilidade gástrica que retarda ou interrompe o esvaziamento do estômago, sem que haja uma obstrução física no caminho. A condição, que afeta diretamente a passagem do conteúdo estomacal para o intestino delgado, é consequência do mau funcionamento dos nervos e músculos do estômago e impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, que frequentemente sofrem com desnutrição e desidratação.

Causas da gastroparesia

No cenário clínico, as principais causas de gastroparesia estão associadas a danos e lesões nos músculos do estômago e no nervo vago, que é o responsável por controlar a musculatura do órgão e do intestino delgado. Entre os fatores mais comuns está o diabetes, que com o tempo provoca danos aos nervos, caracterizando a chamada gastroparesia diabética. O problema também pode ser pós-operatório, desenvolvendo-se após intervenções cirúrgicas no trato gastrointestinal superior e na região do tórax, quando os procedimentos machucam a área do nervo vago.

Além disso, a gastroparesia pode se desenvolver a partir de outros quadros de saúde, como hipotireoidismo, doenças reumatológicas (esclerodermia e amiloidose), doenças neurodegenerativas (Parkinson e esclerose múltipla) e condições neurológicas como tumores no tronco cerebral e AVCs. Infecções virais e o uso de certos medicamentos, incluindo antidepressivos, opioides, bloqueadores dos canais de cálcio e as canetas emagrecedoras, também podem impactar a motilidade gastrointestinal. Em muitos casos, no entanto, a gastroparesia não tem um motivo identificado, sendo definida pelos médicos como idiopática.

Sintomas e complicações

Os principais impactos à saúde atribuídos à gastroparesia incluem desidratação, baixa ingestão calórica e perda de peso acidental. Os pacientes também podem desenvolver a chamada desnutrição qualitativa, quando não há necessariamente um déficit calórico, mas uma falta de nutrientes essenciais. Isso ocorre porque, diante das dificuldades digestivas, muitos recorrem a alimentos ricos em carboidratos e açúcares refinados, que tendem a provocar menos desconforto. Por outro lado, quem não adota essa estratégia pode perder peso de maneira pouco saudável, com perda de massa muscular.

O acúmulo de alimentos parcialmente digeridos no estômago pode formar uma massa presa nas paredes, conhecida como bezoar, que pode levar à obstrução do caminho. Entre os sintomas mais comuns estão a sensação de saciedade logo após começar a comer ou mesmo após muitas horas sem comer, náuseas, vômitos, distensão abdominal, inchaço, dores, produção excessiva de gases, azia, falta de apetite e sensação de estômago pesado. Em casos avançados, com desnutrição e desidratação crônicas, também aparecem fraqueza, tonturas, boca seca e perda de peso exacerbada.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da gastroparesia é feito com base nos sinais e em testes específicos que documentam se o esvaziamento gástrico não está ocorrendo como deveria. Exames de imagem são essenciais, e costuma ser necessária uma endoscopia para descartar a possibilidade de obstrução mecânica. Os tratamentos variam caso a caso: quando há uma causa de fundo identificada, tratar esse problema pode ser suficiente para eliminar a condição. Formas crônicas, como as associadas ao diabetes, precisam de acompanhamento contínuo.

Independentemente da causa, a primeira recomendação é a alteração na dieta, com redução do tamanho das porções e preferência por alimentos leves, com menos gorduras e mais fibras solúveis. Se as mudanças não forem suficientes, o gastroenterologista pode prescrever medicações que estimulam o trânsito intestinal e aliviam os sintomas. Casos mais graves podem exigir métodos invasivos, como injeções de toxina botulínica no piloro, uso de sondas para alimentação ou cirurgia.

Relação com canetas emagrecedoras

No contexto recente, as canetas emagrecedoras ganharam popularidade e passaram a ser usadas inclusive por quem não tem obesidade. Quando administradas sem o devido acompanhamento médico, esses agonistas de GLP-1 podem trazer efeitos colaterais. Um dos mecanismos de ação desses medicamentos para prolongar a saciedade é a desaceleração do esvaziamento do estômago. Em alguns casos, porém, o uso faz isso de maneira exagerada, desencadeando um quadro de gastroparesia em que o estômago desacelera ou até para de funcionar. Por isso, os pacientes com indicação de uso devem manter o acompanhamento médico durante todo o tratamento.

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