O avanço dos casos de hantavírus dos Andes voltou a preocupar especialistas após infecções registradas no navio de cruzeiro MV Hondius. A doença rara, transmitida por roedores e também entre pessoas, já provocou surtos fatais na Argentina e segue sob monitoramento internacional.

Em 2018, a pequena vila de Épuyén enfrentou um dos surtos mais graves já registrados do vírus dos Andes. Ao todo, quase 30 pessoas adoeceram e 11 morreram após desenvolverem pneumonia severa e insuficiência respiratória.

Pesquisadores descobriram que o vírus apresentava um padrão incomum de transmissão entre humanos. O microbiologista Gustavo Palacios afirmou que existem poucos registros históricos desse tipo de contágio, o que dificulta o entendimento da doença.

Diferente da maioria dos hantavírus, o vírus dos Andes pode passar de uma pessoa para outra. Isso aumenta o risco de surtos em ambientes fechados, especialmente quando há contato próximo com alguém infectado.

A investigação em Épuyén mostrou que o paciente inicial transmitiu o vírus durante uma festa de aniversário com cerca de 100 convidados. Algumas pessoas foram infectadas mesmo após contato rápido e breve proximidade física.

Os especialistas acreditam que a transmissão acontece principalmente no período em que o paciente começa a apresentar febre. Essa janela de contágio parece curta, mas extremamente eficiente.

Outro fator que preocupa médicos é o extenso período de incubação do vírus. Em muitos casos, os sintomas aparecem apenas duas ou três semanas após a exposição inicial.

Durante o surto argentino, pessoas infectadas em uma mesma festa só começaram a adoecer dias depois. Isso dificultou o rastreamento de contatos e permitiu novas cadeias de transmissão antes da identificação oficial dos casos.

O navio de cruzeiro MV Hondius está no centro das atenções após oito casos ligados ao hantavírus serem registrados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, três infecções já foram confirmadas e outras cinco seguem sob investigação.

Um passageiro diagnosticado na Suíça testou positivo após retornar para casa de avião. Autoridades agora monitoram passageiros e tripulantes que passaram pelo navio desde março.

Especialistas reforçam que o hantavírus dos Andes possui comportamento muito diferente da Covid-19. A transmissão ocorre em circunstâncias específicas e exige contato mais próximo entre as pessoas.

A infectologista Lucille Blumberg explicou que o vírus não apresenta a mesma facilidade de disseminação observada em pandemias respiratórias recentes. Mesmo assim, o índice de mortalidade pode chegar a 40%, tornando o monitoramento essencial.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.