Pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, em Nova Iorque, descobriram uma nova maneira de proteger as células beta que produzem insulina. Essas células, que ficam no pâncreas, podem ser danificadas por uma condição conhecida como glucolipototoxicidade. Essa condição está relacionada ao avanço do diabetes tipo 2 (T2D). As descobertas, publicadas em março de 2025, mostram um novo caminho para tratamentos que podem ajudar a evitar problemas nas células beta.
Para os pacientes, essa pesquisa pode trazer novas opções de tratamento que protegem as células responsáveis pela produção de insulina. Isso pode desacelerar ou até impedir a progressão do diabetes, diminuindo a necessidade de usar insulina e melhorando o controle da glicemia ao longo do tempo. Diferente das terapias atuais, que focam em controlar os níveis de açúcar, essa nova abordagem se concentra em prevenir a perda das células beta, o que pode resultar em melhores desfechos para os pacientes.
A autora principal, Liora S. Katz, professora associada de Medicina na Icahn School of Medicine, afirmou que esta descoberta é um passo importante para entender como proteger as células beta e prevenir a piora do diabetes. Foi a primeira vez que se demonstrou que moléculas pequenas podem ajustar a atividade da proteína de ligação ao elemento de resposta a carboidratos (ChREBP), com possíveis implicações terapêuticas significativas.
Atualmente, mais de 500 milhões de pessoas no mundo convivem com diabetes, uma doença que se caracteriza por altos níveis de açúcar no sangue, seja por resistência à insulina ou falha nas células beta. No diabetes tipo 2, a exposição a altos níveis de glicose e ácidos graxos ao longo do tempo pode levar a problemas e morte das células beta.
O ChREBP é uma proteína que desempenha um papel fundamental na regulação do metabolismo da glicose. Existem duas principais variantes dessa proteína: ChREBPα e ChREBPβ. Este estudo foi o primeiro a identificar e desenvolver pequenas moléculas, chamadas de “colas moleculares”, que melhoram a interação entre ChREBPα e as proteínas 14-3-3 nas células beta do pâncreas.
Essas colas moleculares aumentam a ligação entre as proteínas 14-3-3 e ChREBPα, que fica ancorada no citoplasma da célula beta. Em condições de glucolipotoxicidade, ChREBPα sai para o núcleo e começa a produzir um excesso de ChREBPβ, que pode desativar e até matar as células beta do paciente. No caso de uso da cola molecular, ChREBPα não sai do citoplasma, não entra no núcleo e, por isso, não produz ChREBPβ.
Quando testadas em células beta humanas, essas colas moleculares reduziram bastante os efeitos prejudiciais da glucolipotoxicidade, ajudando a preservar a função e a identidade das células beta. Esta descoberta representa uma mudança significante na pesquisa sobre diabetes, já que fatores de transcrição como o ChREBP eram considerados alvos impossíveis de serem tratados. O estudo também mostra o potencial das colas moleculares para influenciar interações semelhantes em outras doenças.
Segundo Donald K. Scott, professor de Medicina na Icahn School of Medicine, o que foi descoberto sugere uma nova estratégia para manter a função das células beta no diabetes. Essa abordagem pode complementar os tratamentos existentes e ajudar a prevenir a evolução da doença.
Os pesquisadores agora estão trabalhando para aprimorar essas moléculas e avaliar como podem ser aplicadas em clínicas. Estudos futuros se concentrarão em otimizar as colas moleculares para uso terapêutico e testá-las em modelos pré-clínicos de diabetes.
Esse estudo foi realizado em colaboração com equipes de pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, e da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha. O trabalho recebeu apoio dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e de diversas instituições na União Europeia.

