A saúde no país enfrenta um cenário de contrastes, especialmente no que diz respeito ao avanço tecnológico. Por um lado, os investimentos em inovação estão crescendo. Em 2022, o Ministério da Saúde direcionou mais de R$ 560 milhões para pesquisas em ciência e tecnologia, enquanto as chamadas “health techs” aumentaram seus investimentos em 38% no ano de 2024.
Entretanto, a estrutura necessária para suportar esse progresso — a interoperabilidade — continua rudimentar. Isso significa que, apesar do surgimento de novas tecnologias, como inteligência artificial e ferramentas para diagnósticos preditivos, a comunicação e integração entre os diferentes sistemas de saúde ainda são limitadas. O país enfrenta um desafio significativo: criar um ambiente onde os dados e processos estejam interligados, permitindo um atendimento mais eficiente e seguro.
No setor de medicina diagnóstica, a falta de comunicação pode ser ainda mais prejudicial. Muitas vezes, os profissionais de saúde lidam com informações fragmentadas ou incompletas, o que compromete a qualidade do atendimento. Essa desconexão resulta em diagnósticos imprecisos, atrasos no tratamento e desperdício de recursos devido à repetição de exames.
Por exemplo, um paciente que precisa refazer um exame em outra unidade por falta de integração de dados não apenas perde tempo e dinheiro, mas também corre riscos desnecessários, recebendo cuidados que não são baseados em sua história clínica completa. Além disso, essa falta de dados impacta negativamente a capacidade de utilizar inteligência artificial para prever riscos e personalizar tratamentos.
Os benefícios da interoperabilidade são amplos e devem ser mais valorizados tanto por profissionais de saúde quanto pelas autoridades. Em 2021, a Organização Mundial da Saúde já havia destacado a importância da utilização integrada de grandes volumes de dados para melhorar a tomada de decisões na área da saúde. Isso poderia habilitar a criação de painéis que mostram dados em tempo real, permitindo que os profissionais ofereçam um atendimento mais centrado nas necessidades dos pacientes.
Ainda que o cenário atual apresente desafios, existem iniciativas promissoras. Redes de saúde privada e projetos focados em dados populacionais estão avançando, demonstrando que a interoperabilidade pode ser alcançada. Além disso, a previsão é que, globalmente, os investimentos em big data na saúde cresçam a uma taxa média de 19,2% ao ano até 2035, o que poderia trazer grandes melhorias para a área.
Para que isso ocorra, o país precisa de uma política clara de interoperabilidade, com diretrizes técnicas e padrões mínimos que incentivem a colaboração entre os setores público e privado. A interoperabilidade não se trata simplesmente de trocar informações; exige uma estrutura robusta que permita o uso eficaz de tecnologias avançadas, como inteligência artificial e análise preditiva.
O objetivo é estabelecer um novo padrão para que médicos tomem decisões informadas e pacientes recebam um atendimento digno. Assim, a interoperabilidade se configura como um passo importante para que o país avance na saúde digital, moldando um futuro onde a saúde pública e privada atuem de forma mais inteligente e eficiente. Essa é uma escolha crucial para modernizar o serviço de saúde e garantir um papel de destaque no cenário global.
