Saúde do idoso
Lito Souza tem doença cerebral rara e fatal: entenda
Em São Paulo , o influenciador Lito Sousa , conhecido pelo canal “Aviões e Músicas”, recebeu o diagnóstico da doença de Creutzfeld-Jakob (DCJ). A informação foi
Em São Paulo, o influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal “Aviões e Músicas”, recebeu o diagnóstico da doença de Creutzfeld-Jakob (DCJ). A informação foi divulgada pela esposa dele em um vídeo publicado na última sexta-feira, 21 de agosto de 2026, após uma série de investigações médicas.
O quadro, que é neurodegenerativo e sempre fatal, foi identificado em meio a outros problemas de saúde enfrentados pelo influenciador. Em julho, após o diagnóstico de um câncer de próstata, Lito começou a apresentar dificuldades de movimento em um dos braços. O sintoma foi inicialmente atribuído a uma inflamação no sistema nervoso central, mas exames complementares confirmaram a doença de Creutzfeld-Jakob.
De acordo com o Ministério da Saúde, a DCJ é uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. Os sintomas mais comuns envolvem problemas de movimentação e cognição, e alguns pacientes podem manifestar primeiro sinais típicos de demência. No caso de Lito, o quadro começou a ser descoberto com uma dormência no braço.
A doença está relacionada aos príons, partículas proteicas infecciosas menores que um vírus e compostas apenas por proteína, sem material genético. Essas estruturas foram descobertas em 1982 pelo neurologista Stanley B. Prusiner, que recebeu o Nobel de Medicina por essa descoberta. Em situações raras, os príons se dobram de forma anormal, induzem outras partículas a fazer o mesmo e se acumulam no cérebro, afetando suas funções.
Não existe cura para a doença, e o tratamento é focado em aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A letalidade se aproxima de 90% em até um ano do aparecimento dos sintomas.
A doença ganhou fama mundial nos anos 1990 pela versão bovina, a chamada “vaca louca”, tecnicamente conhecida como encefalopatia espongiforme bovina. Na época, ações de vigilância sanitária foram adotadas para impedir que a carne de animais contaminados chegasse ao mercado, já que os príons são resistentes aos processos habituais de eliminação de vírus e bactérias.
Apesar da fama, a contaminação por carne bovina é extremamente rara em humanos. Estima-se que 85% dos casos sejam esporádicos, sem explicação óbvia, e quase 15% tenham relação com mutações hereditárias. Menos de 1% dos casos estão ligados ao contato com tecidos contaminados em procedimentos médicos, a chamada forma iatrogênica.
A versão bovina da doença, conhecida como variante Creutzfeld-Jakob (vDCJ), nunca teve um caso identificado no Brasil desde o início da vigilância epidemiológica, em 2005. No mundo, há menos de 250 casos documentados da vDCJ desde a descoberta da “vaca louca”, com a maioria registrada no Reino Unido.