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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Miopia cresce no mundo e eleva risco de doenças graves na visão

Em Paris , na França, uma imersão em um dos poucos institutos do mundo dedicados à miopia revelou o que especialistas consideram a ponta de um iceberg. A condiç

Por suporte3 min de leitura

Em Paris, na França, uma imersão em um dos poucos institutos do mundo dedicados à miopia revelou o que especialistas consideram a ponta de um iceberg. A condição, que afeta uma em cada três crianças e adolescentes no planeta, deixou de ser vista apenas como um problema de correção visual e passou a ser tratada como uma questão de saúde pública global.

O Instituto Francês de Miopia (IFM), um dos quatro centros globais focados no distúrbio, foi o cenário para a apresentação de dados que mostram a gravidade do quadro. De acordo com a oftalmologista Elise Philippakis, que conduziu a visita às instalações de pesquisa em Paris, a miopia está associada a uma maior probabilidade de desenvolvimento de catarata, glaucoma e degeneração macular com o envelhecimento. Essas doenças estão entre as principais causas de perda de visão na atualidade, e o risco é ainda maior para o grupo de altos míopes, aqueles com mais de 6 graus, que correspondem a 10% da população que usa óculos ou lentes de contato.

Ainda em Paris, o chefe de Oftalmologia do Hospital Fundação Rothschild, Georges Caputo, ilustrou a gravidade do problema com números. Conforme o médico, a chance de uma pessoa sem miopia ter descolamento de retina ao longo da vida é de 1%. Entre os míopes, esse índice sobe para algo entre 30% e 35%. Os especialistas ouvidos na capital francesa reforçaram que a condição não se limita a uma visão embaçada, mas envolve um alongamento excessivo do globo ocular que pode danificar estruturas sensíveis como a retina e o nervo óptico.

A preocupação com o avanço da miopia no mundo tem base em estatísticas recentes. A prevalência global da condição saltou de 24% em 1990 para 36% em 2023. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que, até 2050, metade da população mundial receba o diagnóstico, passando de cerca de 2 bilhões para aproximadamente 5 bilhões de pessoas. A maioria estará no continente asiático, mas o Brasil também deve registrar um aumento significativo no número de casos.

As causas para esse crescimento foram explicadas pela oftalmologista Luisa Moreira Hopker, do Hospital de Olhos do Paraná. Segundo a médica, a genética continua sendo um fator de risco, mas o ambiente mudou profundamente. As crianças passam mais tempo em locais fechados, em atividades que exigem visão de perto e diante de telas, além de dedicarem menos tempo a atividades ao ar livre. Essa combinação favorece o aparecimento e a progressão da miopia. A diretora de Relações Médicas e Profissionais da EssilorLuxottica, Olga Prenat, esclareceu que a culpa não é inteiramente dos dispositivos eletrônicos, mas do comportamento de concentrar a visão em textos e detalhes que demandam foco, o que as telas exacerbam.

Diante desse cenário, novas tecnologias surgiram para barrar o avanço do problema. Em Paris, foi apresentada a nova geração de lentes para óculos da EssilorLuxottica, a Stellest 2.0, já lançada no Brasil. Segundo a empresa, as lentes possuem microesferas invisíveis que corrigem o ângulo de decodificação dos raios luminosos e modificam o estímulo que chega à retina. Pesquisas com até sete anos de acompanhamento demonstraram que a primeira geração dessas lentes desacelerou em 67%, em média, o avanço da miopia. As lentes são indicadas para crianças a partir dos 6 anos de idade, que devem utilizá-las por cerca de 12 horas diárias para obter o efeito desejado.

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