Saúde do idoso
Miopia: o alerta para doenças oculares graves
Em Paris , na França, uma imersão sobre miopia revelou que a condição vai muito além da visão embaçada. No Instituto Francês de Miopia (IFM) , um dos únicos qua
Em Paris, na França, uma imersão sobre miopia revelou que a condição vai muito além da visão embaçada. No Instituto Francês de Miopia (IFM), um dos únicos quatro centros mundiais dedicados ao distúrbio, pesquisadores alertam que o alongamento excessivo do olho pode danificar a retina e o nervo óptico ao longo do tempo. Segundo a oftalmologista Elise Philippakis, que apresentou as instalações do serviço em Paris, a miopia está associada a uma maior probabilidade de desenvolver catarata, glaucoma e degeneração macular com o envelhecimento.
O risco é ainda maior para os chamados altos míopes, aqueles com mais de 6 graus, que representam cerca de 10% dessa população. O chefe de Oftalmologia do Hospital Fundação Rothschild, Georges Caputo, explicou que a chance de uma pessoa sem a condição ter descolamento de retina na vida é de 1%, mas sobe para entre 30 e 35% quando há miopia. A prevalência global da condição saltou de 24% em 1990 para 36% em 2023, atingindo uma em cada três crianças e adolescentes no planeta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que, até 2050, metade da população global receba o diagnóstico.
A oftalmologista Luisa Moreira Hopker, do Hospital de Olhos do Paraná, afirmou que a miopia não é apenas uma questão de precisar de óculos, mas uma condição que aumenta a propensão a doenças graves e perda visual com a idade. O ambiente em que as crianças vivem mudou profundamente, com mais tempo em ambientes fechados, mais atividades de visão de perto e menos tempo ao ar livre. A diretora de Relações Médicas e Profissionais da EssilorLuxottica, Olga Prenat, esclareceu que a questão gira em torno de concentrar a visão em textos e detalhes que demandam foco, comportamento exacerbado pelas telas.
Na China, país com mais míopes no mundo, oito em cada dez jovens já integram a estatística. A medicina agora une neurociências, óptica e engenharia para intervir na progressão do quadro. As lentes Stellest 2.0, lançadas no Brasil pela EssilorLuxottica, possuem microesferas invisíveis que corrigem o ângulo de decodificação dos raios luminosos e modificam o estímulo que chega à retina. Segundo Arnaud Ribadeau-Dumas, head da Divisão de Lentes da empresa, a cada grau a mais de miopia aumenta o risco de doenças que podem levar à cegueira. As lentes indicadas a partir dos 6 anos demonstraram desacelerar em 67% o avanço do problema em pesquisas de até sete anos de acompanhamento.