Novas diretrizes ajudarão médicos a identificar pacientes com uma síndrome comum de perda de memória, que muitas vezes é confundida com a doença de Alzheimer em pessoas mais velhas. Os critérios de diagnóstico para a encefalopatia em idosos relacionada ao TDP-43 (LATE) foram publicados este mês em uma revista especializada. Este trabalho foi liderado por uma equipe internacional de pesquisadores, com destaque para o pessoal da Penn Medicine. Essas diretrizes são um passo importante para o avanço de testes clínicos e tratamentos para essa condição, que é menos conhecida, mas bastante comum.

“Diretrizes claras para diagnosticar diferentes doenças ajudam não só os pacientes, mas também suas famílias a entender o que está acontecendo com eles. Isso facilita decisões sobre quais tratamentos seguir”, afirmou um dos pesquisadores. “À medida que novas terapias para a doença de Alzheimer se tornam disponíveis, precisamos saber se o paciente realmente possui esses depósitos de proteínas no cérebro e se pode se beneficiar do tratamento. Se a resposta for não, precisamos descobrir qual doença ele realmente tem, que pode ser LATE.”

Uma condição prevalente, mas pouco conhecida

LATE é um tipo de demência recém-descrito que causa perda de memória em pessoas com mais de 80 anos. Como a principal característica do LATE é a perda de memória, ele é frequentemente confundido com a doença de Alzheimer (AD). No entanto, LATE tem uma causa diferente: enquanto a AD é marcada pela acumulação de proteínas chamadas beta-amiloide e tau, LATE é causado pelo acúmulo de uma proteína chamada TDP-43, descoberta pelos pesquisadores da Penn Medicine.

Estudos post-mortem mostraram que LATE é bastante comum entre os adultos com mais de 80 anos; a acumulação de TDP-43 estava presente em 40% dessas pessoas. Em autópsias de indivíduos com AD, foi verificado que 55% também apresentavam LATE. Comparado a pessoas com apenas AD, os que têm apenas LATE apresentam sintomas cognitivos diferentes. LATE afeta mais a memória, enquanto os que têm AD têm comprometimento em várias funções cognitivas, como planejamento e linguagem. Os que têm LATE costumam apresentar um avanço mais lento nos sintomas, mas quando possuem ambas as condições, o quadro tende a evoluir mais rápido.

Pesquisas indicam que pessoas com apenas LATE têm um curso mais estável e podem viver mais do que aquelas com apenas AD ou com ambas as doenças. Diferentemente da beta-amiloide e tau, não existe um exame para detectar TDP-43, e sua presença no cérebro só pode ser confirmada por autópsia após a morte. O novo relatório detalha critérios para diagnosticar LATE isoladamente ou quando ele ocorre junto com a AD, usando avaliações cognitivas, exames de ressonância magnética para procurar atrofia no hipocampo e testes para detectar beta-amiloide e tau no líquido cerebrospinal e em PET scans do cérebro.

Esses critérios de diagnóstico também ajudam a diferenciar LATE de outros tipos de demência, como a degeneração frontotemporal (FTLD), que também envolve acúmulo de TDP-43, ou demência com corpos de Lewy, onde as proteínas se acumulam no cérebro de forma anormal. Na FTLD, as pessoas enfrentam perda de funções executivas e de linguagem, enquanto na demência com corpos de Lewy, há problemas de movimento, além de outras dificuldades cognitivas.

“Diagnosticar LATE corretamente é um passo essencial para engajar em novas pesquisas”, continuou o pesquisador. “Com esse diagnóstico, podemos desenvolver testes clínicos para medicamentos que atuem no TDP-43, além de investigar a eficácia de terapias existentes em pessoas que têm tanto LATE quanto AD. Essa é uma oportunidade de desenvolver e testar novas opções de tratamento que visem ambas as doenças.”

Esse estudo foi apoiado por várias instituições e financiamentos que ajudam na pesquisa e no desenvolvimento de tratamentos para condições como LATE e AD. As novas diretrizes são um avanço importante para a saúde do nosso povo idoso e podem impactar positivamente a vida de muitos.

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Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.