A falta de clareza em relacionamentos e a incerteza sobre o futuro podem prolongar o sofrimento emocional das pessoas. Essa é a conclusão de especialistas que estudam o impacto das rejeições e das ausências de comunicação, como o fenômeno conhecido como ghosting, quando uma pessoa encerra uma relação abruptamente, sem explicar o motivo.

Rodrigo Costa de Oliveira, psicólogo da equipe de psiquiatria do Hospital Universitário Onofre Lopes, destaca que, em situações de rejeição direta, existe um fechamento simbólico. Essa rejeição, mesmo que dolorosa, permite que a pessoa comece a lidar com a dor e a dor de uma forma mais estruturada, pois há um motivo claro para o fim da relação. Após essa rejeição, a pessoa pode iniciar um processo de luto, mesmo que seja difícil.

Por outro lado, no ghosting, a falta de resposta gera um vazio emocional. A pessoa que foi ignorada acaba presa em seus próprios pensamentos, tentando entender o que aconteceu. Perguntas como “Fiz algo de errado?” ou “Essa pessoa ainda vai voltar?” podem surgir, e essa incerteza apenas aumenta a dor, pois não há um fechamento claro. Oliveira observa que essa indefinição torna o sofrimento mais intenso.

Além do aspecto emocional, também há uma implicação psicodinâmica importante. O ghosting pode reativar traumas relacionados ao abandono e à exclusão, experiências que podem remeter a momentos da infância em que a criança dependia da presença do cuidador para se sentir segura. Por isso, a dor provocada por esse tipo de rejeição pode ser mais longa e complexa. Não se trata apenas da perda de uma conexão atual, mas também da reativação de feridas emocionais antigas.

A neurociência também dá suporte a essas observações. A rejeição aberta ativa áreas do cérebro relacionadas à dor social, enquanto a ausência de resposta mantém uma sensação de ambiguidade, fazendo com que a pessoa permaneça em estado de alerta. Essa falta de informações concretas dificulta a superação do evento, resultando em ruminações e ansiedade que podem se prolongar por mais tempo.

Em resumo, tanto a clareza nas relações quanto a comunicação são fundamentais para que as pessoas possam lidar melhor com o fim de laços emocionais e minimizar o impacto psicológico de rejeições e ausências.

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Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.