Pesquisadores do Queen Mary’s Hospital, em Londres, desenvolveram o OBSCORE, um novo cálculo que promete substituir o Índice de Massa Corporal (IMC) no diagnóstico da obesidade. O estudo foi publicado na revista científica Nature Medicine e analisou quase 200 mil pessoas durante cerca de dez anos.
O IMC, que considera apenas peso e altura, foi por muito tempo a principal referência para diagnosticar obesidade. No entanto, o novo estudo internacional indica que apenas o peso pode não revelar o verdadeiro risco de doenças graves. A proposta do OBSCORE é avaliar a obesidade de forma mais precisa, entendendo que pacientes com o mesmo IMC podem ter condições metabólicas completamente diferentes. Enquanto alguns desenvolvem doenças graves rapidamente, outros permanecem relativamente saudáveis por décadas.
O tradicional índice não consegue medir fatores importantes como gordura abdominal, metabolismo e inflamação do organismo. Na prática, duas pessoas com obesidade podem apresentar riscos totalmente diferentes para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e insuficiência renal, mesmo tendo o mesmo número na balança.
O OBSCORE utiliza informações clínicas e laboratoriais para entender o risco real do paciente. Parte dos dados pode ser obtida no consultório, enquanto outros dependem de exames de sangue. Entre os principais critérios avaliados estão a gordura abdominal, o metabolismo e a inflamação do organismo.
A chegada de medicamentos como Ozempic e Mounjaro transformou o tratamento da obesidade nos últimos anos, mostrando resultados importantes na perda de peso e redução do risco cardiovascular. No entanto, os custos ainda são elevados, e nem mesmo sistemas de saúde de países ricos conseguem oferecer esses remédios para todas as pessoas com obesidade ao mesmo tempo.
O novo escore pode ajudar médicos e gestores públicos a identificar quais pacientes precisam de intervenção mais urgente, tornando os tratamentos mais personalizados e eficientes. Na prática, duas pessoas com IMC de 35 podem receber prioridades diferentes. Uma pode apresentar risco baixo naquele momento, enquanto outra já estaria próxima de desenvolver problemas cardiovasculares ou insuficiência renal.
Especialistas acreditam que o futuro do tratamento da obesidade será baseado menos no peso isolado e mais na combinação entre gordura corporal e risco clínico real. O objetivo é criar uma abordagem mais personalizada para cada paciente. Ferramentas como o OBSCORE ainda precisam ganhar espaço na prática médica, mas já reforçam uma mudança importante: obesidade não é uma condição igual para todos, e o tratamento também não deveria ser.
