O mundo registrou avanços no combate ao HIV, às hepatites virais e às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mas o ritmo atual não é suficiente para cumprir a meta de eliminar essas doenças como ameaças à saúde pública até 2030. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em relatório apresentado durante a Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro.

Os dados indicam progressos relevantes nas últimas décadas. Desde 2010, as novas infecções por HIV caíram 42% e as mortes relacionadas à aids diminuíram 57%. Em 2025, foram registradas cerca de 570 mil mortes associadas à doença. Atualmente, aproximadamente 32 milhões de pessoas vivem com HIV e recebem tratamento com antirretrovirais.

No caso das hepatites virais, o número anual de novas infecções caiu 32% desde 2015. Esse resultado foi impulsionado pela ampliação da vacinação infantil contra a hepatite B, que alcançou 84% de cobertura em 2024.

Apesar dos números positivos, a OMS avalia que o avanço está abaixo do necessário para atingir as metas de 2030. Problemas na prevenção, na testagem e no acesso aos serviços de saúde continuam contribuindo para a transmissão das doenças em várias regiões do mundo.

A falta de investimentos contínuos e distribuídos de forma equilibrada entre as regiões é apontada como um dos principais obstáculos. Segundo a infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês, a redução de recursos tem afetado principalmente os programas de prevenção e diagnóstico.

A especialista explica que, quando os investimentos diminuem, os sistemas de saúde tendem a priorizar a manutenção dos tratamentos existentes, enquanto ações de testagem e prevenção acabam prejudicadas. Esse cenário pode favorecer o surgimento de novos casos e dificultar o controle da transmissão.

Outro desafio é a identificação precoce das infecções. Algumas doenças podem permanecer sem sintomas por longos períodos, o que faz com que pessoas infectadas não procurem atendimento e contribuam para a continuidade da transmissão. A infectologista Emy Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que o diagnóstico tardio dificulta o controle das infecções e aumenta o risco de manutenção da cadeia de transmissão.

A redução do uso de preservativos, especialmente entre os jovens, também preocupa os especialistas. Somada à disseminação de informações falsas, essa tendência pode diminuir a procura por vacinação, testes e outras medidas de prevenção.

As desigualdades sociais e econômicas influenciam diretamente os resultados das políticas de saúde. Em regiões com menor infraestrutura, a população pode enfrentar dificuldades para realizar testes, receber vacinas ou iniciar o tratamento adequado. Grupos socialmente vulneráveis, como profissionais do sexo, pessoas privadas de liberdade e pessoas trans, enfrentam barreiras econômicas, sociais e relacionadas ao preconceito.

Para os especialistas, alcançar as metas da OMS exige ampliar os investimentos em prevenção, fortalecer a testagem e garantir acesso mais uniforme aos serviços de saúde. A ampliação da vacinação, do uso de preservativos e das estratégias de profilaxia, além do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento, é considerada fundamental para reduzir novas infecções e interromper as cadeias de transmissão. Embora os números demonstrem avanços importantes, a OMS alerta que a redução dos investimentos e as desigualdades no acesso à saúde podem comprometer parte dos resultados obtidos nas últimas décadas.

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Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados.

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