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OMS aponta para grave crise de saúde em Gaza por longo prazo

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um grave alerta sobre a situação de saúde na Faixa de Gaza, afirmando que a região enfrenta uma “catástrofe de saúde” que pode afetar a população por gerações. Durante uma entrevista à BBC, Tedros destacou que, apesar do cessar-fogo entre Israel e o…

Por Juliana Borges3 min de leitura

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um grave alerta sobre a situação de saúde na Faixa de Gaza, afirmando que a região enfrenta uma “catástrofe de saúde” que pode afetar a população por gerações. Durante uma entrevista à BBC, Tedros destacou que, apesar do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que começou em 10 de outubro, a ajuda humanitária e os suprimentos médicos que entram no território ainda são muito limitados e não atendem às necessidades emergenciais da população.

De acordo com a OMS, a população de Gaza está enfrentando uma crise severa, marcada por situações de fome, ferimentos massivos, colapso da infraestrutura hospitalar e surtos de doenças. O diretor-geral da OMS mencionou que a combinação de fome e problemas sérios de saúde mental pode resultar em uma crise duradoura que se estenderá às futuras gerações.

Israel tem permitido a entrada de caminhões com mantimentos por duas travessias, chamadas Kerem Shalom e Kissufim. Contudo, organizações humanitárias afirmam que o volume de ajuda ainda é insuficiente. A OMS estima que para suprir as necessidades da população, seriam necessários cerca de 600 veículos de ajuda diariamente, enquanto atualmente apenas de 200 a 300 estão sendo permitidos. O Programa Mundial de Alimentos relatou que mais de 6.700 toneladas de alimentos entraram em Gaza desde o início do cessar-fogo, número que fica bem abaixo da meta de 2.000 toneladas por dia.

Tedros também pediu que Israel não vincule a entrega de ajuda ao conflito, abstendo-se de impor condições como a devolução de restos mortais de reféns israelenses. Ele criticou a retenção de materiais médicos na fronteira, que são considerados potencialmente ambíguos em relação ao seu uso militar, afirmando que esse bloqueio prejudica o atendimento aos feridos.

A OMS ainda informa que cerca de 700 pessoas não conseguiram evacuar para tratamento médico nas últimas semanas. Desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, mais de 68 mil palestinos perderam a vida, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas.

As agências internacionais estimam que a recuperação total da região custará em torno de US$ 70 bilhões, com cerca de 10% desse valor destinado à reestruturação do sistema de saúde. Tedros enfatizou que a paz é essencial para resolver a situação, alertando que o cessar-fogo é frágil e que ainda há risco de escalada.

As dificuldades enfrentadas pela população local são visíveis na cenografia devastadora. Muitas famílias que retornaram ao que costumava ser suas casas encontraram apenas ruínas, demonstrando a magnitude da destruição causada pelo conflito. A situação de saúde, alimentos e abrigo continua crítica, e as necessidades são mais urgentes a cada dia.

Para mais informações sobre eventos e ações de auxílio, visita o link.

Sobre quem escreveu

Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.

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