Saúde do idoso
Tecnologia de mRNA ganha espaço no Brasil
Em São Paulo , durante a terceira edição do Vesper Annual Meeting, evento organizado pela startup Vesper, cerca de 200 nomes do setor de biotecnologia se reunir
Em São Paulo, durante a terceira edição do Vesper Annual Meeting, evento organizado pela startup Vesper, cerca de 200 nomes do setor de biotecnologia se reuniram para apresentar projetos e discutir o avanço das pesquisas com vacinas e terapias baseadas em RNA mensageiro. A tecnologia, que ganhou escala mundial com os imunizantes contra a covid-19, agora é o centro de novas aplicações desenvolvidas em solo brasileiro.
De acordo com Gabriel Bottos, CEO e cofundador da Vesper, as startups de biotecnologia são a solução para inovar na velocidade que a ciência exige. No evento, a imunologista Glaucia Vespa, diretora médica de vacinas da América Latina da Adium, definiu o RNA mensageiro como um marco na história da medicina, pois a técnica permite levar instruções genéticas para treinar as defesas do corpo contra vírus ou atacar células cancerígenas.
Pesquisas nacionais
No Rio de Janeiro, a Fiocruz projetou e patenteou o primeiro sistema nacional de síntese e produção de RNA mensageiro para vacinas e terapias. Segundo Patricia Neves, líder da operação, o programa já desenvolve uma vacina contra a covid após quatro anos de pesquisa e deve chegar à fase de estudo clínico como uma vacina 100% brasileira. Experimentos iniciais também miram doenças como leishmaniose e tuberculose.
Em Florianópolis, pesquisadores da startup Cellertz Bio trabalham para reduzir o tempo que crianças com leucemia precisam ficar conectadas a bombas de infusão. Com o uso de inteligência artificial e RNA mensageiro, a empresa desenha moléculas mais estáveis que podem transformar o fígado em uma fábrica de proteínas terapêuticas com meia-vida de quase uma semana, conforme explicou o cientista Edroaldo Lummertz da Rocha.
Já a startup FUTRbio, também no país, desenvolveu uma plataforma de RNA mensageiro que dribla o estresse celular e potencializa a imunidade. O cientista e fundador Daniel Mansur afirmou que a tecnologia permite respostas rápidas com menos doses, podendo ser usada em vacinas combinadas contra covid e gripe, além de tratamentos oncológicos mais curtos. O evento na capital paulista serviu de vitrine para essas iniciativas que buscam ampliar o uso da tecnologia no país.