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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

TOD: condição neurobiológica, não falta de limites

Em consultórios e escolas pelo Brasil, o Transtorno Opositor Desafiador (TOD) ainda é frequentemente rotulado como falta de limites ou má criação. A educadora p

Por suporte3 min de leitura

Em consultórios e escolas pelo Brasil, o Transtorno Opositor Desafiador (TOD) ainda é frequentemente rotulado como falta de limites ou má criação. A educadora parental Cintia Matos, mãe de uma criança diagnosticada com a condição, relata que a realidade de quem convive com o transtorno é marcada por um caos diário, culpa e julgamento social.

Segundo Cintia, a mudança no comportamento do filho mais novo foi inicialmente interpretada por terceiros como consequência de uma criação permissiva. Ela conta que, ao comparar a conduta do filho com a dos outros dois, a explicação não se sustentava, mas faltava um direcionamento claro de médicos e psicólogos. A hipótese do TOD foi levantada por um psicopedagogo e confirmada posteriormente por uma neuropediatra.

Diante do diagnóstico, a educadora buscou especialização para entender o funcionamento cerebral do filho e adaptar sua abordagem, percebendo que o autoritarismo não surtia efeito. A falta de recursos lúdicos para auxiliar na terapia e na autorregulação da criança a motivou a escrever o livro Lucas vai à terapia, que hoje é utilizado por outras famílias e profissionais.

O TOD consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), mas ainda é pouco reconhecido até mesmo entre médicos. Estudos recentes indicam que muitos casos permanecem subdiagnosticados ou mal diagnosticados, especialmente pela sobreposição de sintomas com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou transtorno de conduta, o que atrasa a intervenção adequada.

O que a ciência mostra sobre o TOD

Pesquisas científicas têm demonstrado a base neurobiológica do transtorno. Um estudo publicado no Journal of Autism and Developmental Disorders, em 2024, identificou a presença de TOD em 53% das crianças com TDAH do tipo combinado. O índice sobe para 62% quando há autismo associado e é de 24% em crianças apenas autistas, evidenciando a frequente coexistência com outras condições do neurodesenvolvimento.

Uma meta-análise de neuroimagem publicada na Neuropsychology Review apontou alterações estruturais no cérebro de crianças com o transtorno. Foram observadas reduções de volume em áreas como amígdala, ínsula e giro frontal, regiões diretamente ligadas à regulação emocional e ao autocontrole, o que reforça a tese de que o comportamento não deriva de má criação.

Sinais de alerta e o papel dos pais

Os sinais de alerta do TOD incluem irritabilidade frequente e desproporcional, oposição constante a pedidos simples, comportamento vingativo após repreensões, dificuldade de controlar impulsos e conflitos recorrentes na escola. Esses comportamentos prejudicam as relações da criança com familiares e outras crianças, que também sofrem por não conseguir se controlar.

Cintia Matos ressalta que os pais não são a causa do TOD, mas têm papel decisivo no sucesso do tratamento. Como educadora parental, ela defende que o manejo comportamental em casa é o pilar central da intervenção, com impacto maior do que poucas horas semanais de terapia. A orientação parental auxilia na substituição de reações autoritárias por uma comunicação firme, na redução de crises e na criação de uma rotina previsível, o que diminui a reatividade do cérebro infantil.

A educadora, que une os estudos teóricos à vivência prática como mãe, dedica-se hoje a guiar outras famílias na mesma situação. Ela afirma que é possível alcançar um desenvolvimento saudável e respeitoso para essas crianças e transformar o caos em conexão.

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