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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Vacina contra catapora pode ajudar na defesa contra demência

Vacinação Contra Cobreiro e Sua Relação com a Demência Uma regra de vacinação em Gales trouxe novas evidências sobre como vacinas podem ajudar a proteger contra a demência. Um estudo realizado por pesquisadores de Stanford analisou registros de saúde de idosos galeses e descobriu que quem tomou a vacina contra o cobreiro tinha 20% menos…

Por Juliana Borges6 min de leitura

Vacinação Contra Cobreiro e Sua Relação com a Demência

Uma regra de vacinação em Gales trouxe novas evidências sobre como vacinas podem ajudar a proteger contra a demência. Um estudo realizado por pesquisadores de Stanford analisou registros de saúde de idosos galeses e descobriu que quem tomou a vacina contra o cobreiro tinha 20% menos chance de desenvolver demência nos seguintes sete anos, em comparação com quem não recebeu a vacina.

Esses resultados, divulgados em abril, apoiam a ideia de que certos vírus que afetam o sistema nervoso podem aumentar o risco de demência. Se essas descobertas forem confirmadas em pesquisas futuras, pode ser que já exista um jeito prático de ajudar a prevenir essa condição.

Vacina Contra o Cobreiro e Seus Benefícios

Outro estudo do mesmo grupo, publicado em dezembro, revelou que a vacina pode ainda ajudar pessoas já diagnosticadas com demência, retardando a progressão da doença. Isso mostra que os benefícios da vacina vão além da prevenção.

O Que é o Cobreiro?

Cobreiro é uma doença viral que causa uma erupção cutânea dolorosa. É provocada pelo mesmo vírus da catapora, o varicela-zoster. Após a catapora na infância, o vírus não sai completamente do corpo. Ele permanece inativo nas células nervosas e pode voltar a agir mais tarde, especialmente entre pessoas mais velhas ou com sistemas imunológicos comprometidos.

Demência e a Hipótese Viral

Atualmente, mais de 55 milhões de pessoas no mundo têm demência, com cerca de 10 milhões de novos casos a cada ano. A maioria das pesquisas sobre a demência focou em proteínas anormais no cérebro, como placas e emaranhados, típicos do Alzheimer. Porém, até agora, esses estudos não resultaram em métodos eficazes para prevenir ou parar a doença. Portanto, alguns cientistas estão investigando outras causas, incluindo infecções por vírus que podem danificar o cérebro ao longo do tempo.

Pesquisas anteriores já sugeriam que pessoas vacinadas contra o cobreiro eram menos propensas a desenvolver demência. No entanto, esses estudos tinham limitações sérias, já que pessoas que tomam vacinas normalmente têm hábitos mais saudáveis, como alimentação adequada e prática de exercícios. Esses fatores bem que poderiam influenciar o risco de demência, mas não estão registrados nos bancos de dados médicos.

Um Experimento Natural em Gales

Algum tempo atrás, um pesquisador chamado Pascal Geldsetzer percebeu uma interessante oportunidade com a vacinação de cobreiro em Gales. O modo como a vacina foi distribuída funcionava como um “experimento natural”, evitando assim os vieses comuns em outras pesquisas. Durante a vacinação, utilizou-se uma versão da vacina que continha o vírus vivo atenuado.

O programa nacional de vacinação começou em 1º de setembro de 2013. Qualquer pessoa de 79 anos nesta data podia receber a vacina no ano seguinte. Aqueles que tinham 80 anos ou mais no mesmo dia não poderiam se vacinar. Isso criou um cenário em que pessoas com idades próximas poderiam ser comparadas em termos de saúde e diagnose de demência.

Análise de Grupos Semelhantes

Os pesquisadores analisaram os registros de saúde de mais de 280 mil idosos entre 71 e 88 anos que não tinham demência no começo do programa de vacinação. Foi feita uma comparação entre aqueles que completaram 80 anos logo antes da data limite de 1º de setembro e aqueles que fizeram aniversário logo depois.

O time acreditava que as duas turmas em análise eram muito parecidas e teriam interesse igual em se vacinar, mas a diferença de um curto período de tempo foi o que alterou a elegibilidade para a vacinação.

Resultados e Dados Coletados

Assim, acompanharam a saúde desses grupos nos sete anos seguintes. Através da combinação de dados sobre os resultados de saúde e as taxas de vacinação, eles puderam estimar o impacto da vacina. Aproximadamente metade das pessoas que eram elegíveis tomou a vacina, enquanto quase ninguém da turma não elegível se vacinou.

Após o acompanhamento, a vacina mostrou reduzir a taxa de cobreiro em cerca de 37% entre os vacinados, com resultados semelhantes aos encontrados em ensaios clínicos. Em 2020, entre os participantes com cerca de 86 e 87 anos, um em cada oito desenvolveu demência, mas entre os vacinados a chance foi 20% menor.

Investigando Outras Explicações

Os pesquisadores procuraram outras causas para as diferentes taxas de demência e descobriram que os grupos eram muito semelhantes em várias características medidas. Os níveis de educação eram os mesmos, e as taxas de outras doenças como diabetes e câncer não eram diferentes entre os vacinados e os não vacinados. A única diferença clara foi a menor quantidade de diagnósticos de demência entre quem foi vacinado.

Impactos na Progressão da Demência

Os pesquisadores também se aprofundaram para descobrir se a vacina apenas prevenia a demência ou se tinha efeitos em pessoas que já apresentavam problemas cognitivos. Usando a mesma comparação, descobriram que quem recebeu a vacina tinha menores chances de receber um diagnóstico de comprometimento cognitivo leve durante o acompanhamento de nove anos.

Resultados em Pacientes Já Diagnosticados

Para aqueles que já tinham demência no início do programa em Gales, os resultados foram ainda mais impressionantes. Os indivíduos vacinados eram significativamente menos propensos a morrer de demência nos próximos nove anos, indicando que a doença poderia ter avançado mais lentamente no grupo vacinado.

Dentre os 7.049 idosos galeses que tinham demência no início do seguimento, cerca de 30% dos vacinados morreram da condição, em comparação com quase metade dos não vacinados. Os pesquisadores significam que os resultados indicam que a vacina pode ter benefícios não apenas preventivos, mas também terapêuticos para quem já convive com a demência.

Efeitos Diferentes Entre Gêneros

Uma outra descoberta interessante foi que os efeitos protetores da vacina contra demência eram muito mais fortes em mulheres do que em homens. Isso pode estar relacionado a diferenças biológicas nas respostas imunológicas ou como a demência se desenvolve entre os gêneros. Geralmente, as mulheres desenvolvem respostas de anticorpos mais altas após a vacinação.

Até agora, os cientistas ainda não sabem exatamente como a vacina proporciona essa proteção. Se funciona aumentando a imunidade de forma geral, reduzindo a reativação do vírus ou de outra maneira, continua um mistério.

Próximos Passos na Pesquisa

Os pesquisadores esperam que esses resultados incentivem mais investimentos nessa linha de pesquisa. Eles estão analisando dados de outros países, como Inglaterra, Austrália e Canadá, onde vacinas semelhantes foram aplicadas. Os resultados são consistentes com os de Gales, mostrando um forte sinal de proteção contra a demência.

O próximo passo que a equipe de Geldsetzer quer dar é um grande ensaio clínico randomizado para fornecer evidências rigorosas sobre a efetividade da vacina em reduzir a demência. Esse estudo seria simples e prático, já que a única intervenção seria a vacina, que é segura.

Atrair apoio filantrópico é crucial, uma vez que a vacina utilizada agora não está mais sob patente, mesmo sendo a que apresentou os melhores resultados nas pesquisas. Um ensaio como esse poderia trazer resultados significativos rapidamente.

Esses dados preliminares sugerem que a vacina pode trazer benefícios importantes tanto para prevenir quanto para retardar a progressão da demência.

Sobre quem escreveu

Juliana Borges

Nutricionista em Goiânia e no online, ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira Wellness (2018/2019). Colunista de saúde no PlanoMedicoSaude.

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