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Discord suspenso após morte de adolescente: o que pais precisam saber

No Brasil , a rede social Discord suspendeu, por tempo indeterminado, as transmissões ao vivo e o compartilhamento de vídeos. A medida foi determinada pela Agên

Por suporte3 min de leitura

No Brasil, a rede social Discord suspendeu, por tempo indeterminado, as transmissões ao vivo e o compartilhamento de vídeos. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que apontou falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes contra conteúdos de violência, automutilação e suicídio.

Em Brasília, a agência reguladora justificou a decisão com base em evidências de que a empresa não adota medidas suficientes para reduzir a exposição do público jovem a esses riscos. O caso ganhou repercussão após a morte de uma menina de 13 anos, induzida por uma transmissão ao vivo de um grupo extremista na rede.

Dados recebidos pela ANPD da plataforma SaferNet, organização não governamental que combate crimes na internet, mostram que mais de 2 mil links do Discord foram denunciados desde janeiro de 2017. Nos sete primeiros meses deste ano, as denúncias cresceram 54% em comparação com o mesmo período de 2025, que já registrava número três vezes maior que o de 2024.

Na União Europeia, informações do DSA Transparency Database indicam que, entre agosto de 2024 e 6 de agosto de 2026, 41,4% das decisões de moderação da plataforma, cerca de 10,6 milhões, foram relacionadas à proteção de crianças e adolescentes. O termo material de abuso sexual infantil apareceu 4,37 milhões de vezes nas justificativas, enquanto o compartilhamento de imagem não consensual foi citado em 8,4% dos casos.

Em nota, o Discord afirmou que a caracterização feita pela ANPD não reflete a realidade da plataforma nem os investimentos da empresa em segurança. A companhia disse ter investigado e removido o servidor envolvido na morte da jovem antes do ocorrido, e que está em diálogo com a agência para restabelecer os recursos de vídeo.

O Discord é uma plataforma de comunicação criada para o público gamer, mas hoje reúne comunidades sobre diversos assuntos. Diferente de redes como Instagram ou TikTok, não é baseada em um feed, mas em servidores que funcionam como comunidades, com canais de texto, voz e vídeo. Cada servidor pode ter regras próprias e administradores que expulsam ou banem usuários, o que torna a moderação descentralizada.

Em Belo Horizonte, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conduziram o estudo Discord Revelado, que coletou mais de 2 bilhões de mensagens em servidores públicos. O levantamento sugere que o modelo flexível de moderação pode favorecer a formação de comunidades extremistas e de ódio, com diálogos sobre automutilação e comportamento suicida amplamente documentados entre os mais jovens.

A criptografia de ponta a ponta, adotada pelo Discord em comunicações de áudio e vídeo desde março de 2026, também preocupa a ANPD, pois impede a plataforma de acessar conversas em tempo real. A empresa afirma usar inteligência artificial e metadados para identificar conteúdos nocivos, mas a agência considera que não foram apresentadas evidências suficientes de eficácia.

A educadora Sheylli Caleffi, agente de proteção infantil no meio digital, avaliou que a ausência de regulação deixa as conversas sem supervisão. Ela destacou que é fácil criar contas anônimas na rede, o que atrai criminosos que se passam por outras pessoas, e que muitas vezes adultos montam grupos voltados aos mais novos.

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