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Medicina Geriátrica

Saúde do idoso

Café: 3 benefícios surpreendentes para a saúde, segundo a ciência

No Brasil, o café, que há décadas sustenta a economia e a rotina de milhões de pessoas, é hoje o centro de uma revisão científica que reescreve sua reputação. E

Por suporte3 min de leitura

No Brasil, o café, que há décadas sustenta a economia e a rotina de milhões de pessoas, é hoje o centro de uma revisão científica que reescreve sua reputação. Estudos recentes, que analisam o consumo da bebida em larga escala, indicam que a ingestão moderada de três a cinco xícaras por dia está associada à redução de riscos de doenças cardíacas, diabetes tipo 2, problemas no fígado e declínio cognitivo. A mudança de perspectiva ocorre à medida que os pesquisadores deixam de focar apenas na cafeína e passam a investigar os mais de mil compostos bioativos presentes no grão, muitos com ação antioxidante.

Em 2026, a Associação Americana do Coração publicou uma revisão que concluiu que o consumo moderado da bebida não é apenas seguro para a maioria das pessoas, mas também benéfico. Segundo o médico Sergio Francisco, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, o documento derruba mitos antigos e reduz a necessidade de interferir nos hábitos dos pacientes. Em outra frente, um estudo divulgado na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, que acompanhou dados de quase 355 mil britânicos, constatou que quanto maior a ingestão de café, menor o risco de problemas hepáticos graves, como a esteatose hepática.

A trajetória do café, no entanto, nem sempre foi de glórias. Entre os séculos 16 e 18, a bebida enfrentou resistência moral e religiosa. No século 19, o cultivo do cafeeiro elevou o Brasil ao posto de maior produtor global, consolidando o grão na base da modernização do país. Foi no século passado, com o aumento da mortalidade por doenças cardíacas, que o café voltou a ser culpado por arritmias e hipertensão. Especialistas da época, no entanto, tinham dificuldade para separar os efeitos da bebida das consequências de um estilo de vida marcado por estresse, alimentação inadequada e tabagismo, já que substâncias do cigarro aceleram a degradação da cafeína, levando fumantes a consumirem mais café.

A situação se agravou em 1991, quando a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou a bebida como possivelmente carcinogênica. Décadas depois, com a evolução da epidemiologia e a realização de estudos de longo prazo, o café foi inocentado. Um marco dessa virada foi uma pesquisa publicada no The New England Journal of Medicine em 2012, que acompanhou mais de 400 mil pessoas e apontou que, no passado, o café era associado a um estilo de vida menos saudável, o que distorcia os resultados. Agora, a ciência carimba a bebida como aliada do coração, do fígado e do cérebro, desde que consumida com moderação.

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