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Veganismo sem rigidez: professor desafia o mundo

Nos Estados Unidos, o filósofo Matthew Halteman, professor da Universidade Calvin, lançou no Brasil o livro Animais Belos e Famintos (Editora Vestígio). Na obra

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Nos Estados Unidos, o filósofo Matthew Halteman, professor da Universidade Calvin, lançou no Brasil o livro Animais Belos e Famintos (Editora Vestígio). Na obra, ele apresenta uma defesa do veganismo que foge dos argumentos convencionais e propõe uma abordagem que considera a jornada individual e coletiva em direção a esse estilo de vida.

Halteman não cresceu vegano. Sua família mantinha a tradição de banquetes com carnes, mas ele se converteu após leituras e experiências de vida. Em sua análise, todos carregam uma ética aprendida na infância que orienta o senso de certo e errado, o que o leva a acreditar que todos são veganos em potencial.

Para o autor, o maior desafio para quem considera adotar o veganismo é a imaginação. Segundo ele, muitas pessoas já desejam um mundo vegano, mas a falta de imaginação faz com que a adoção desse estilo de vida desperte medo e seja vista como uma obrigação que ameaça prazeres e hábitos. A proposta é mudar o foco do medo para a curiosidade, imaginando as oportunidades criadas por atitudes veganas.

Halteman defende que o veganismo é uma jornada em busca de justiça e alegria para todas as criaturas. No plano interno, a prática evitaria inflamações, dissonância cognitiva e incoerência emocional. No plano externo, reduziria o uso de terra, água e grãos, além de diminuir riscos de pandemias e sofrimento animal.

Sobre a questão da acessibilidade no Brasil, o filósofo afirma não ter conhecimento específico sobre os hábitos alimentares e políticas agrícolas do país, mas considera que a soberania alimentar coletiva e a autonomia individual são fundamentais para que as pessoas concretizem suas aspirações veganas. Ele observa que a distribuição desigual desses recursos facilita a adoção do veganismo para alguns e dificulta para outros.

O autor sugere que aqueles que têm acesso a esses recursos usem seu poder para promover transformações nos sistemas alimentares. Ele defende que incentivos e políticas públicas são necessários para equilibrar as condições e tornar os benefícios do veganismo acessíveis a mais pessoas, sem que comunidades carentes de autonomia sejam consideradas sem capacidade de ação.

Halteman ressalta que nem todos conseguem se abster de produtos de origem animal e suprir necessidades nutricionais ao mesmo tempo, mas todos podem dar passos nessa direção. Ele sugere práticas como observar e apreciar os animais, buscar alimentos de origem vegetal acessíveis e estabelecer metas progressivas.

O filósofo também destaca a importância da comunidade no movimento vegano. Em sua análise, iniciativas inovadoras surgiram em comunidades que tradicionalmente não detinham controle sobre a soberania alimentar, com destaque para a influência de veganos negros em seu pensamento, como as ativistas Amie Breeze Harper e Michelle Loyd-Paige.

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